"Meu retorno ao poder garante as eleições", diz Manuel Zelaya

Roberto Maltchik Enviado Especial da Agência Brasil Em Tegucigalpa (Honduras)

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou no domingo 4, dentro da embaixada brasileira em Tegulcigalpa, que só o retorno dele ao poder garante a legitimidade das eleições, marcadas para o dia 29 de novembro.

"Há eleições convocadas. A minha restituição garante as eleições. Minha restituição garante uma transição pacífica. Minha restituição permite a alternância de poder. Pelo contrário, a minha não restituição significaria o desconhecimento das eleições. Fraude nas eleições, mais repressão. Isso ninguém quer para a Honduras. Por isso, tenho fé, confiança de que o problema vai se resolver", afirmou Zelaya.

A "Agência Brasil" conseguiu entrar na embaixada neste domingo, após receber permissão do governo de Roberto Micheletti. Em cerca de uma hora de visita, foi possível perceber que, apesar das condições precárias, o clima neste momento é tranquilo na representação diplomática brasileira.

Zelaya admitiu que está pronto para fazer concessões, que garantam um resultado positivo para a missão de ministros de relações exteriores de dez países das Américas, prevista para a próxima quarta-feira (7). Segundo ele, a negociação tem "90% de chance de prosperar".

O presidente deposto explicou que não acredita que seja possível fazer, nos três meses que lhe restam de mandato, as mudanças exigidas pelos aliados dele, entre as quais, uma nova Constituição para Honduras. Por isso, o retorno seria simbólico.

"Meu retorno é um símbolo, para negar o golpe de Estado. Isso independe do processo político. Os processos políticos da sociedade não vão parar porque eu regressei ou porque eu não regressei. Os processos políticos continuam. O ato de retornar significa uma lição para quem quer dar um golpe de estado. Temos que dar um exemplo", analisa.

O presidente deposto de Honduras ainda descartou qualquer possibilidade de aceitar um acordo, no qual ele e Roberto Michelleti renunciem para que uma terceira pessoa assuma o poder. "Isso é outro golpe de estado. Os países do mundo estão lutando pela restituição do presidente. Colocar uma terceira pessoa seria legitimar o golpe de estado. Então, poderiam tirar todos os presidentes da América e trocar por outras pessoas. Isto não é possível. É inaceitável."

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição



De acordo com o diplomata brasileiro Lineu Pupo de Paula, 66 pessoas prosseguem na embaixada do Brasil, entre familiares de Zelaya, apoiadores, jornalistas e representantes do corpo diplomático. As duas casas vizinhas à embaixada estão ocupadas por militares e policiais encapuzados e fortemente armados. Do lado de dentro, Zelaya também tem um grupo de segurança, formado por duas equipes que se revezam 24 horas por dia.

Todo o caminho até o portão é monitorado por tropas do Exército de Honduras, que controlam com rigidez toda movimentação no perímetro do prédio. O chefe da segurança de Zelaya, Hugo Suazon, não acredita que neste momento haja ameaça de invasão à embaixada, já que, segundo ele, a "pressão internacional" foi bastante efetiva para impedir qualquer ação violenta.

Os ocupantes do prédio dormem em colchonetes ou em pedaços de papelão. A distribuição de comida, a limpeza e até mesmo a lavagem de roupas seguem um esquema de divisão de tarefas, organizado pelos próprios ocupantes. Já houve dois surtos de infecção intestinal provocados, segundo os moradores, por comida estragada.

Lineu Pupo de Paula explicou como consegue manter o ambiente tranquilo, mesmo com muito mais gente do que o prédio é capaz de comportar. "Temos um código de conduta que é cumprido por todos. Por exemplo, bebida alcoólica não entra aqui", assegurou.

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