Micheletti reúne-se com ministros e deve suspender decreto que limita liberdade civil em Honduras

Thiago Scarelli Enviado especial do UOL Notícias* Em Tegucigalpa (Honduras)

Atualizada às 13h49

Que medidas o Brasil deveria adotar em relação ao presidente deposto?

O presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, se reúne na tarde desta segunda-feira (5) com seus ministros. No encontro, Micheletti deve pedir aos ministros que suspendam um decreto que limita as liberdades civis e tirou do ar dois veículos de comunicação que apoiam o presidente deposto, Manuel Zelaya.

Micheletti sofre pressão para revogar essas medidas, enquanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) tenta negociar um fim para a crise desencadeada pelo golpe que derrubou Zelaya do poder há exatamente 100 dias.

Zelaya diz que embaixada do Brasil oferece segurança para assinar acordo

"A sede diplomática da República Federativa do Brasil em Tegucigalpa proporciona o marco de segurança nacional e internacional para a subscrição deste acordo por ambas as partes", afirmou Zelaya hoje.

O presidente deposto voltou ao país secretamente há duas semanas e se refugiou na embaixada brasileira.

"Pedirei respeitosamente, da mesma forma que tomamos a decisão de impor, que suspendamos", disse Micheletti à televisão local em entrevista.

Ambos os líderes afirmam estarem prontos para conversar, mas as exigências principais continuam inalteradas. Micheletti afirma que Zelaya deve enfrentar os tribunais e está resistindo às pressões para que seja reconduzido ao poder, enquanto Zelaya insiste em ter seu poder restabelecido incondicionalmente.

O decreto de emergência gerou uma onda de reprovações internacionais, e os simpatizantes de Zelaya exigiram que fosse suspenso antes das negociações.

Missão da OEA
A missão diplomática da OEA (Organização dos Estados Americanos) poderá superar o impasse político de Honduras. A delegação deve chegar nesta quarta-feira em Tegucigalpa, com o objetivo de facilitar o diálogo entre Zelaya e o presidente golpista Roberto Micheletti. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, não participará do encontro. Ruy Casaes, representante permanente do Brasil na OEA, é quem vai integrar a missão multilateral.

Pelo chamado Acordo de San José, proposto pelo mediador e presidente da Costa Rica, Óscar Árias, fica acertado que Zelaya retorne à Presidência. Além disso, os crimes políticos relacionados ao processo do golpe seriam anistiados.

A posição da OEA é que essa deve ser a base para o final do impasse, mas para isso seria necessário conseguir moderação dos dois lados, além do aval do Congresso e da Corte de Justiça de Honduras.

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição

"Há eleições convocadas. A minha restituição garante as eleições. Minha restituição garante uma transição pacífica. Minha restituição permite a alternância de poder. Pelo contrário, a minha não restituição significaria o desconhecimento das eleições. Fraude nas eleições, mais repressão. Isso ninguém quer para a Honduras. Por isso, tenho fé, confiança de que o problema vai se resolver", afirmou Zelaya em entrevista à Agência Brasil neste domingo (3).

Retorno simbólico
O presidente deposto explicou que não acredita que seja possível fazer, nos três meses que lhe restam de mandato, as mudanças exigidas pelos aliados dele, entre as quais, uma nova Constituição para Honduras. Por isso, o retorno seria simbólico.

"Meu retorno é um símbolo, para negar o golpe de Estado. Isso independe do processo político. Os processos políticos da sociedade não vão parar porque eu regressei ou porque eu não regressei. Os processos políticos continuam. O ato de retornar significa uma lição para quem quer dar um golpe de estado. Temos que dar um exemplo", afirmou à Agência Brasil.

*Com informações das agências internacionais

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