Manifestantes pró-Zelaya protestam depois de fracasso de missão da OEA

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Atualizada às 20h21

Os apoiadores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tomaram nesta quinta-feira (8) a avenida em frente ao hotel onde ocorreram as negociações intermediadas pela OEA (Organização dos Estados Americanos) para tentar por fim à crise no país. A polícia de choque bloqueou o avanço dos manifestantes que pediam a imediata restituição de Zelaya ao poder.

SIP pede fim de proibição de transmissões em Honduras

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) pediu hoje a reabertura e restituição dos direitos dos veículos de comunicação fechados em Honduras no final de setembro ao considerar que um diálogo em favor da democracia deve levar em consideração as liberdades de imprensa e de expressão.



Segundo o comando da polícia, o decreto que impede manifestações com mais de 20 pessoas continua vigorando, mesmo depois de o presidente ter anunciado na última segunda-feira que o decreto estava inteiramente revogado. A decisão, no entanto, não foi oficializada em publicação no Diário Oficial do país. As emissoras de rádio e TV que fazem oposição ao governo golpista prosseguem fechadas.

"Manuel Zelaya deve voltar ao poder até o dia 15 de outubro, caso contrário não haverá eleições e será muito perigoso. A violência poderá aumentar", disse o líder do movimento de resistência ao golpe de Estado, Rafael Alegria.

O assessor para Honduras do secretário-geral da OEA, John Biehl, já havia afirmado hoje que a não restituição do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao poder pode tornar impossível uma eleição limpa e respeitada por todos no país.

"Há muitos indícios de que, se Zelaya não retornar ao poder logo, há movimentos sociais que tornariam impossíveis as eleições limpas e respeitadas", declarou em Tegucigalpa o diplomata chileno à Rádio Cooperativa.

"Eleições sem o presidente Zelaya provavelmente tendem a ser altamente militarizadas, com um alto grau de violência, o que significaria que o próximo governo seria praticamemte desconhecido pela maioria do país", advertiu Biehl.

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a Constituição



O protesto começou poucos minutos depois da leitura da declaração que apontou como único resultado efetivo das conversas a criação de uma mesa de diálogo entre o grupo do presidente deposto e o grupo do presidente interino, Roberto Micheletti.

Os diplomatas e os emissários dos dois lados ainda não conseguiram avançar no ponto central da negociação, o retorno de Zelaya ao poder, um dos pontos do acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias. Mas o líder interino, Roberto Micheletti, disse que deixa a Presidência do país se Zelaya também desistir de retomar o poder.

Apesar do impasse, a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) demosntrou otimismo com as negociações. "A missão da OEA está convencida de que o diálogo iniciado com participação direta das partes pode levar à superação da crise política enfrentada pelo país", ressalta a organização, em uma declaração em Tegucigalpa.

A OEA "tem a esperança de que os integrantes da mesa assumam plenamente a responsabilidade que foi encomendada e de que seu trabalho permitirá abrir o caminho que poderia levar Honduras à recuperação da ordem democrática".

Mas um alto funcionário do organismo admitiu que a delegação ficou "surpresa" com a resistência demonstrada por Micheletti em uma reunião na noite de quarta-feira.

"A missão de chanceleres ficou um pouco surpresa, porque na reunião (prévia) com os negociadores havia esperança", disse à Reuters Victor Rico, secretário de Assuntos Políticos da OEA.

Nas ruas, hondurenhos não acreditam
no término da crise política no país



A insistência de Micheletti aumentou a aberta desconfiança com que os representantes de Zelaya encaram o processo de negociação.

Em entrevistas, Zelaya criticou a missão da OEA por não ter a força suficiente para obrigar Micheletti a devolver o poder. "A OEA abandonou o plano de Arias no meio do caminho e isso é um sinal de muita fraqueza dessa organização", argumentou ao jornal mexicano "Excelsior".

"Estamos muito pessimistas, não vemos uma disposição positiva entre os golpistas, eles não estão cogitando a restituição de Zelaya ao poder", afirmou ainda Juan Barahoma, um dos representantes do presidente deposto.

Já o Departamento de Estado norte-americano disse hoje que considerou "importante" a presença da comitiva da OEA que viajou a Tegucigalpa nesta semana para tentar solucionar a crise hondurenha. "Entendo que houve um saldo positivo nas reuniões" coordenadas pela OEA, ressaltou o porta-voz da diplomacia dos Estados Unidos, Ian Kelly.

"O importante é que [as partes] tenham iniciado um diálogo direto", sustentou ele. "A partir destas reuniões, temos esperança de que o impasse acabe", prosseguiu.

*Com informações das agências internacionais e da Agência Brasil

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