Diálogo avança em Honduras, mas ainda esbarra na restituição de Zelaya

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Representantes do presidente deposto Manuel Zelaya e do Roberto Micheletti afirmaram nesta terça-feira (13), após mais uma jornada de reuniões, que houve acordo em 7 dos 8 pontos mais importantes do plano de superação da crise em Honduras. O último, porém, é o mais delicado: a restituição do governante deposto.

"Já começamos a discutir o ponto central e esperamos a resposta amanhã [quarta-feira]", afirmou à imprensa Mayra Mejía, uma dos três negociadores de Zelaya nesse processo, após encerrar mais uma jornada de reuniões.

Vilma Morales, ex-presidente da Corte Suprema de Justiça (CSJ) e membro da comissão de Micheletti, também relatou avanço: "Avançamos já 90%", declarou ela. "Na quarta continuamos as discussões sobre diferentes cenários e alternativas".

Os avanços chegam no mesmo dia em que Zelaya, pela primeira vez, falou na possibilidade de não retornar ao poder como presidente, mencionando planos posteriores às eleições. Essa é a aposta do governo de Roberto Micheletti para solucionar a crise iniciada com o golpe de Estado, em 28 de junho.

"Os golpistas devem ser entregues aos tribunais de justiça internacional, à Corte Penal, tanto militares quanto civis", afirmou Zelaya, referindo-se às pessoas que participaram do golpe que tirou do país. "Essa será a condição estabelecida depois das eleições, se não me restituírem antes", acrescentou, falando ao Canal 11 da televisão local.

"Se chegarmos às eleições sem um acordo, o que acontecerá é que a crise vai se aprofundar, será um governo fraco, espúrio, a comunidade internacional vai manter o isolamento, a menos que decidam entregar os golpistas aos tribunais de justiça internacional", destacou.


Zelaya estimou que as hipóteses discutidas na mesa de negociações podem tornar "factível que a paz e a tranquilidade retornem a Honduras".

Representante de Zelaya deixa diálogo por discordar de presidente deposto

O sindicalista Juan Barahona foi substituído hoje na comissão que representa o presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, no diálogo sobre a crise política no país por discordar da decisão do chefe de Estado derrubado de renunciar a uma Assembleia Constituinte

Mais cedo, o presidente deposto tinha anunciado a substituição de um de seus três negociadores no diálogo com o governo golpista.

Sai Juan Barahona, de 55 anos, e entra em seu lugar o advogado Rodil Rivera, no momento em que começa uma rodada decisiva de conversações. Rivera se somará à equipe de Zelaya integrada por seus ministros da Casa Civil e Trabalho, Víctor Meza e Mayra Mejía, respectivamente.

Barahona é um dos coordenadores da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, que realiza manifestações diárias para exigir a volta de Zelaya e a convocação de uma Assembleia que reforme a Constituição, por considerar que a Carta atual serve apenas aos "interesses da oligarquia".

Justamente essa reforma detonou o golpe de Estado contra Zelaya, derrubado por tentar promover uma consulta popular destinada à convocação de uma Constituinte, considerada ilegal pelo Congresso, pela Corte Suprema de Justiça, o Ministério Público e demais instituições do Estado.

Barahona insiste em que só a volta ao poder de Zelaya, refugiado na embaixada do Brasil em Honduras, há três semanas, legitimaria as eleições previstas para 29 de novembro no país, e por isso sua saída é vista como um fator de flexibilização no diálogo.

*Com agências internacionais

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