Após um mês e último dia tumultuado, corte inscreve 18,6 mil eleitores bolivianos em SP

Haroldo Ceravolo Sereza Do UOL Notícias Em São Paulo

Atualizada às 12h30

A seção brasileira da Comissão Nacional Eleitoral boliviana cadastrou 18.616 pessoas para as eleições que ocorrem em 6 de dezembro. O prazo legal para inscrição se encerrava à meia-noite.

É a primeira vez que bolivianos que vivem no exterior vão poder votar. Além de Brasil - o alistamento eleitoral ocorreu em São Paulo, cidade com maior número de imigrantes bolivianos no país -, eleitores bolivianos puderam se alistar na Argentina, Espanha e Estados Unidos.

A expectativa inicial da Corte Eleitoral boliviana era que até 200 mil bolivianos vivendo no exterior pudessem se alistar. O número final acabou ficando um pouco abaixo: 182.823, quase a metade na Argentina (90.431). Na Espanha, nas cidades de Valência, Madri e Barcelona, o total de eleitores bolivianos ficou em 50.533, enquanto nos Estados Unidos, um total de 23.243 pessoas se alistaram para votar.

Em São Paulo, a Corte Eleitoral esperava, inicialmente, alistar 23 mil novos eleitores. Depois do atraso de duas semanas no início do processo (o que ocorreu em todos os países), que só começou em 14 de setembro, a previsão caiu para 15 mil. A intensa movimentação nos últimos dias fez o número subir.

Eleitores bolivianos no mundo

CidadeNº de eleitores
Buenos Aires (ARG)80.300
Mendoza (ARG)5.826
San Salvador de Jujuy (ARG)4.305
São Paulo (BRA)18.616
Madri (ESP)18.349
Barcelona (ESP)20.571
Valência (ESP)11.613
Nova York (EUA)13.680
Washington (EUA)9.563
Total182.823
O jornalista Jorge Gonzales, que responsável pelo processo em São Paulo, estimava no fim da noite de ontem que o número passaria de 18,5 mil. "Infelizmente, não deu para atender a todos. Chegamos a trabalhar 14 horas por dia", disse Gonzales, pouco depois das 20h de ontem. Em alguns dos postos, o cadastramento seguiria até meia-noite, quando se esgotava o prazo legal para a inscrição de eleitores.

Embora o registro seja "high-tech", com o recolhimento das impressões digitais, assinatura e foto por meio eletrônico, para evitar fraudes, a cédula usada na eleição será a tradicional, ou seja, de papel.

A corte tem independência em relação ao governo e ao Congresso bolivianos e seus integrantes não podem ter passado de filiação partidária.

Em São Paulo, o intenso movimento chegou a causa tumultos. Ontem pela manhã, os postos do Pari (bairro com forte presença boliviana) e Arthur Alvim tiverem de ser fechados.

Parte da movimentação e dos tumultos é resultado do temor dos imigrantes que moram em São Paulo de enfrentarem problemas burocráticos caso tenham de viajar ao país de origem. Isso porque o voto é obrigatório para quem vive na Bolívia. Para quem vive no exterior, no entanto, o registro é facultativo.

Na semana passada, Gonzales previu que alguns problemas poderiam ocorrer: "Nesta última semana, com certeza, nós não vamos dar conta de todos os bolivianos que virão se inscrever", disse ele ao UOL Notícias.

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