Governo golpista de Honduras suspende restrições à mídia; rádio Globo volta ao ar 22 dias depois

Do UOL Notícias Em São Paulo*

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O governo golpista de Honduras abrandou as restrições aos protestos e à mídia oposicionista nesta segunda-feira (19), enquanto as negociações prosseguiam pela terceira semana consecutiva sem um acordo sobre a volta ao poder do presidente deposto, Manuel Zelaya.

A rádio "Globo", de Tegucigalpa, voltou hoje ao ar depois de ficar fechada durante 22 dias devido a um decreto do Governo de fato de Honduras, presidido por Roberto Micheletti.

A rádio foi fechada em 28 de setembro, dois dias depois de o Governo de Micheletti emitir um decreto que restringia as garantias constitucionais. No sábado passado, foi publicado outro decreto que suprimiu essa medida.

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição

Também foi fechada no último 28, junto com a rádio "Globo", a emissora de televisão "Cholusat Sur Canal 36", que continua fora do ar.

O proprietário da rádio "Globo", Alejandro Villatoro, disse ao retomar as transmissões da emissora que hoje é "um dia de alegria para o povo".

Segundo Villatoro, voltar ao ar é como "reviver um morto", porque a rádio "tinha um status de morte". "Estamos voltando, o morto tem que reviver", afirmou o dono da rádio. Ele já foi funcionário do Governo do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

A rádio "Globo" retomou suas transmissões às 11h locais de hoje (15h de Brasília) com a execução do hino nacional de Honduras.

Zelaya, que foi obrigado por soldados a sair do país em 28 de junho, voltou clandestinamente a Honduras no mês passado e buscou refúgio na Embaixada do Brasil. O líder golpista, Roberto Micheletti, respondeu mobilizando soldados ao redor da embaixada, impondo restrições à liberdade de imprensa e proibindo grandes passeatas.

Micheletti havia prometido suspender as medidas de emergência em 5 de outubro após duras críticas internacionais, mas o decreto foi revertido no diário oficial apenas nesta segunda-feira (19).

As negociações sobre como resolver a pior crise política na América Central em décadas devem recomeçar na segunda-feira. A Organização dos Estados Americanos (OEA) insiste para que Zelaya seja restituído, o que se tornou o principal ponto de divergência nas conversas.

Os negociadores de Micheletti disseram na sexta-feira que a Suprema Corte deveria decidir se Zelaya podia voltar ao cargo. Mas foi a corte que determinou a deposição do presidente esquerdista, argumentando que ele violou a Constituição numa tentativa de permitir a reeleição presidencial, e é improvável que permita seu retorno.

O golpe militar em Honduras trouxe de volta as memórias do passado sombrio da América Central, com guerras civis e violência patrocinada pelo Estado nos anos 1970 e 1980. Ele também representa um problema para o presidente dos EUA, Barack Obama, que prometeu melhorar as relações do país com a América Latina.

Zelaya classificou a proposta apresentada pelos governantes de facto na semana passada como uma "piada".

"Estamos aguardando para que o sr. Micheletti apresente uma proposta séria. Se vierem com a mesma proposta apresentada na sexta-feira, vamos encarar isso como uma indicação de que não estão interessados no diálogo", disse o enviado de Zelaya, Victor Meza, à Reuters na noite de domingo.

Embora o governo de facto diga que está participando das negociações com boas intenções, alguns analistas afirmam que Micheletti está apenas buscando um tempo, na esperança de permanecer na chefia do governo até que um novo presidente seja escolhido nas eleições de 29 de novembro.

"Acho que eles estão apenas brincando de gato e rato. Não há solução na direção em que estão indo", disse o analista político hondurenho Juan Ramon Martinez.

Entenda o cerco à embaixada brasileira em Tegucigalpa


*Com informações da Reuters e da EFE

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