Após revisão, opositor de Karzai obtém 30,59% dos votos no 1º turno no Afeganistão

Do UOL Notícias Em São Paulo*

O opositor Abdullah Abdullah, candidato a presidente do Afeganistão, obteve 30,59% de no primeiro turno da eleição do dia 20 de agosto. O novo percentual foi divulgado nesta quarta-feira (21), um dia depois de o presidente Hamid Karzai, candidato à reeleição, aceitar o segundo turno após a revisão dos votos.

Por pouco Karzai não venceu no primeiro turno: ele obteve 49,67% dos votos válidos. Inicialmente, Karzai havia obtido maioria absoluta no primeiro turno, mas uma investigação comandada pela ONU anulou dezenas de milhares de votos devido a fraudes, o que fez com que a votação dele caísse. Antes da revisão dos votos, Abdullah havia obtido 28% dos votos.

O 2º turno da eleição presidencial afegã ocorrerá no dia 7 de novembro.

Abdullah disse estar pronto para concorrer. À noite liguei para Karzai e o felicitei por ter aceitado a organização do segundo turno da eleição", declarou o candidato.

Demissão nas zonas eleitorais
Os chefes de metade das zonas eleitorais do Afeganistão serão demitidos para evitar fraudes no segundo turno da eleição presidencial, que será decisivo para a credibilidade do país e o apoio internacional, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira.

"Mais de metade dos coordenadores de campo dos distritos estão sendo substituídos para evitar qualquer tentativa de fraude, ou porque houve queixas feitas contra eles por candidatos e observadores", disse Aleem Siddique, porta-voz da ONU, na quarta-feira em Cabul.

Segundo ele, foram demitidos 200 dos 380 coordenadores distritais. A investigação da ONU apontou evidências disseminadas de fraudes e manipulação.

A decisão de Karzai de aceitar o segundo turno atenuou a tensão com o Ocidente e removeu um empecilho à definição de uma nova estratégia militar norte-americana para o Afeganistão, o que pode incluir o envio de dezenas de milhares de soldados adicionais.

Muitos políticos do Partido Democrata dos EUA são contra o envio de reforços, enquanto o Partido Republicano diz que a demora na definição da nova estratégia está fortalecendo o Taliban.

O secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, negou que haja divisões entre assessores civis e militares do governo. "Esses rumores sobre algum tipo de racha simplesmente não são exatos e não refletem o estreito esforço de trabalho entre nossos militares e civis", disse Gates em entrevista coletiva na quarta-feira, durante visita ao Japão.

Gates afirmou que as dúvidas sobre a legitimidade do governo afegão não serão resolvidas apenas com o segundo turno, e qualificou a situação como um "processo evolutivo".

"Claramente, ter o segundo turno, deixá-lo para trás e seguir adiante é importantíssimo", afirmou.

As autoridades eleitorais agora enfrentam um pesadelo logístico, pois têm pouco mais de duas semanas para preparar o segundo turno, antes que o rigoroso inverno afegão torne o montanhoso interior do país praticamente inacessível.

*Com informações das agências internacionais

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