Ex-guerrilheiro presidenciável vota em sua "última batalha" no Uruguai

Maurício Savarese Enviado especial do UOL Notícias Em Montevidéu

Quem deveria vencer a eleição no Uruguai?

Favorito nas eleições presidenciais uruguaias, o candidato governista José "Pepe" Mujica votou assim que abriu sua zona eleitoral neste domingo (25) naquela que definiu, aos 74 anos de idade, como sua "última batalha". Ex-guerrilheiro do grupo Tupamaro, que combateu a ditadura no país, ele participou de sequestros e assaltos para financiar a esquerda uruguaia e passou 14 anos na prisão, de onde só saiu em 1985.

Tendências na América do Sul

Na parte mais pobre do bairro de La Teja, perto da região portuária de Montevidéu, Mujica depositou seu voto acompanhado de sua mulher, também ex-militante, Lucía Topolansky. Cercado de militantes do partido esquerdista Frente Ampla, chegou antes mesmo da abertura das urnas, às 8h, para conversar com pessoas que esperavam para votar.

"Vocês não vão acreditar, mas estou olímpico, muito tranquilo", disse Mujica antes de depositar sua cédula, cercado de vizinhos, frenteamplistas com suas bandeiras vermelhas, azuis e brancas e jornalistas do Uruguai e do resto da América do Sul.

"É minha última batalha. Estou tão tranquilo que acordei há pouco tempo, dormi bem e vou dormir de novo daqui a pouco na minha chácara", brincou o senador mais votado das eleições de 2004, que tenta suceder na Presidência um companheiro de partido, Tabaré Vázquez, cuja popularidade chega a 60%.

Chamado de terrorista por seus adversários, Mujica pronunciou um discreto "Hasta la victoria" de cima de sua caminhonete depois de votar. Esse lema é atribuído ao guerrilheiro argentino Che Guevara, que também se fazia presente nas bandeiras dos partidários do esquerdista e nas boinas que o ícone sul-americano também vestia.

Pesquisas de intenção de voto apontam que 10% de indecisos podem apontar se as eleições presidenciais terminarão no primeiro turno ou se haverá uma segunda ida às urnas no fim de novembro, provavelmente entre Mujica e o conservador ex-presidente Luis Alberto Lacalle, do Partido Blanco (centro-direita).

Vitória ou aposentadoria

O presidenciável disse estar tranquilo apesar de ser "o único candidato que não pode perder" entre os cinco que disputam a eleição: ele, Lacalle, o jovem Pedro Bordaberry (Partido Colorado, de centro), Pablo Mieres (Partido Independente, centro-esquerda) e Raúl Rodriguez (Assembléia Popular, esquerda).

"Sou o único candidato que não está também na disputa do Senado. Se perder eu me aposento e vou ser um militante de base", disse Mujica, referindo-se à possibilidade que a Corte Eleitoral do Uruguai oferece de que os políticos possam postular mais de um cargo. O esquerdista já tinha prometido voltar para sua fazenda para plantar flores e acelgas ao lado de Lucía, sua companheira de quase 40 anos.

Mujica vai esperar pelos resultados da pesquisa de boca-de-urna em sua chácara e concederá entrevista coletiva no fim da tarde, ao lado de seu candidato a vice-presidente, o ex-ministro da Economia Danilo Astori. Os primeiros números oficiais serão divulgados na manhã de segunda-feira.

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