Uruguai elege novo presidente hoje; ex-guerrilheiro é favorito

Maurício Savarese Enviado especial do UOL Notícias Em Montevidéu

Quem deveria vencer a eleição no Uruguai?

O rompimento dos uruguaios com os dois partidos mais tradicionais do país pode se aprofundar hoje (25), quando as urnas decidirão se o ex-guerrilheiro e senador José "Pepe" Mujica, 74, da governista Frente Ampla, será eleito presidente no primeiro turno ou se disputará uma segunda votação como favorito contra o ex-mandatário Luis Alberto Lacalle, 68, do Partido Blanco, de centro-direita.

Candidatos à Presidência do Uruguai

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Ex-integrante do grupo Tupamaros, que promoveu assaltos a bancos, sequestros e assassinatos em meio ao combate à ditadura uruguaia na década de 1960, Mujica conta com 45% das intenções de voto, de acordo com pesquisas recentes, enquanto Lacalle soma 35% do eleitorado. Pedro Bordaberry, 49, candidato do multifacetado Partido Colorado, que já elegeu 33 dos 37 ocupantes do Palácio Estévez - residência oficial do presidente uruguaio -, soma minguados 10%.

Antes mesmo de as urnas serem abertas, os colorados são os grandes derrotados das eleições uruguaias, depois de tentarem se revigorar com a candidatura do jovem filho de um ex-presidente e com a indicação do ex-jogador de futebol Hugo de León (que já vestiu a camisa do Nacional, Grêmio, Corinthians, Botafogo, entre outros) para ser seu candidato a vice.

A disputa mais acirrada das últimas horas antes das eleições uruguaias se dá em torno dos 10% de indecisos que, dizem os analistas locais, têm receio do esquerdista Mujica, mas não querem colocar em risco o que vêem como avanços do governo do presidente Tabaré Vázquez - principal líder do mesmo partido e cuja aprovação beira os 60%.

Vázquez promoveu reformas nas áreas tributária e trabalhista e implementou políticas sociais que lhe trouxeram apoio entre os mais pobres. O senador Mujica, sem apoio total do governo atual, promete aprofundar as mudanças e promover redistribuição de terras no país se for eleito para um mandato de cinco anos sem direito à reeleição.

Favorito polêmico
Ex-ministro da Agricultura e Pecuária, Mujica tem se esforçado para atrair o eleitorado mais cauteloso nos últimos dias, dizendo que se inspira nos mais moderados Vázquez e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oratória simples, segundo ele, é um ponto em comum com o brasileiro, visto como contraponto regional à influência do venezuelano Hugo Chávez - um presidente que o uruguaio diz respeitar, mas sem grande entusiasmo.

"Já disse a Chávez: 'vocês não constroem nenhum socialismo assim, e sim muita burocracia'", afirmou. "Meu modelo é o de Lula, por usar essa metodologia de permanecer no centro do diálogo político permanente", disse Mujica em entrevista ao semanário Búsqueda.

Os adversários acusam o ex-guerrilheiro de ser inexperiente apesar da idade e de falta de diplomacia. Recém-lançado, o livro "Pepe - Colóquios" divulga frases polêmicas do favorito para as eleições presidenciais, como: "a Argentina não chegou ao nível de democracia representativa e a institucionalidade não vale coisa nenhuma" nesse país.

"Imaginem o senhor Mujica conversando com líderes estrangeiros", disse Lacalle, presidente entre 1990 e 1995, em um dos debates dos presidenciáveis na TV. "Precisamos de outro tipo de liderança, não de alguém que vai ficar debaixo de uma árvore na sua fazenda e que vai ser avisado pelos cachorros de que os ministros estão chegando para uma reunião."

De origem camponesa, Mujica já declarou que se perder as eleições presidenciais voltará para sua fazenda em sua lambreta - mania uruguaia - para se fixar ali pelos últimos anos de vida enquanto planta acelga. Por hora, as maiores chances são de que ele adie a confecção de sua horta pessoal por cinco anos.

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