Votação frustra esquerda e empolga direita, dizem líderes partidários uruguaios

Maurício Savarese Enviado especial do UOL Notícias Em Montevidéu

Quem deveria vencer a eleição no Uruguai?

Enquanto a esquerdista Frente Ampla lamentou os resultados das urnas nas eleições gerais do Uruguai no domingo - em que não saiu como vencedora inquestionável em nenhuma das disputas -, os conservadores dos Partidos Blanco e Colorado saíram empolgados por terem sido desmentidos os prognósticos de uma grande vitória do campo governistas, disseram líderes partidários nesta segunda-feira (26).

"A Frente Ampla investiu sua força em tudo e por isso não saiu como vencedora clara em nada", disse a jornalistas o senador Gustavo Paredes, na sede do Partido Blanco (centro-direita) no centro da cidade. "A alegria do nosso lado se deve ao fato de que as primeiras projeções mostravam que era possível que nem sequer tivéssemos segundo turno, o que foi sendo desmentido. Não foi arrogância, sabemos que há muito trabalho a fazer. Mas a militância estava preocupada e só podia terminar a noite feliz."

Eleição no Uruguai

  • AFP

    Luis Lacalle comemora ida ao segundo turno

Ex-ministro do Trabalho e um dos principais líderes da campanha de José Mujica (Frente Ampla), o deputado Eduardo Bonomi afirmou que "o desalento inicial é natural porque todos queríamos resolver logo", mas que a Frente Ampla parte de um alto patamar para vencer a direita. "Eles têm de conquistar cerca de 500 mil votos para terem condição de nos vencer. Entendo o desapontamento que alguns sentem do nosso lado e a empolgação exagerada que muita gente sentiu no outro, mas o fato é que estamos partindo para a vitória de um patamar muito alto, só nos faltam uns 3%."

A principal das disputas, a eleição presidencial, será definida no segundo turno de 29 de novembro entre o ex-guerrilheiro José "Pepe" Mujica (Frente Ampla), favorito para suceder o presidente Tabaré Vázquez, do mesmo partido, e o ex-mandatário Luis Alberto Lacalle, do Partido Blanco (centro-direita) que já recebeu o apoio pessoal do terceiro colocado na disputa, o colorado Pedro Bordaberry.

Na entrevista coletiva do fim da noite de domingo, Mujica e seu candidato a vice, Danilo Astori, apareceram na sede da Frente Ampla com expressão grave. O esquerdista afirmou que "não há triunfalismo nem derrotismo" e seu companheiro ressaltou que sua chapa teve mais votos que as outras duas juntas. Enquanto isso, do lado blanco, Lacalle derramou até lágrima e os seus partidários festejaram a noite inteira pelas ruas de Montevidéu.

Sem triunfo decisivo
Na disputa parlamentar ainda não estará claro se a esquerda terá maioria, mas já é fato que o grupo de Mujica obteve mais votos em geral em 11 departamentos (Estados), incluindo áreas onde não tinha triunfado em 2004, enquanto os blancos ficaram com oito. As projeções apontam maioria pequena da Frente Ampla no Senado, composto por 30 cadeiras mais a do vice-presidente, mas há dúvidas sobre a composição da Câmara, com 99 parlamentares.

Nas votações dos plebiscitos, cuja orientação da Frente Ampla era pelo voto sim, um foi rejeitado e outro está em suspenso: a autorização para que uruguaios no exterior, estimados entre 500 mil e 700 mil, possam participar de eleições foi negada pelos uruguaios e a anulação da lei que impede o Estado de investigar crimes cometidos por governos ditatoriais depende do cômputo dos votos brancos e anulados.

"O recado da sociedade é que ela não quer um partido com ampla maioria no Parlamento, quer mais 30 dias para pensar sobre seu presidente e que nosso partido saiu revigorado, mas que o doutor Lacalle abre mão de sua militância pelos blancos para estender a mão para o resto do país", disse a deputada Verónica Alonso. "A Frente Ampla estava empolgada demais e imagino que eles estejam entendendo agora que no Uruguai se toma as decisões com calma."

O único tema em que os parlamentares conservadores e o esquerdista Bonomi concordam é o grande vencedor das eleições: o Partido Colorado. "Não devemos temer a aliança entre os tradicionais blancos e colorados", disse o ex-ministro do governo Vázquez, cuja aprovação supera os 60% e que deverá desempenhar papel mais ativo na votação decisiva. "Mas a diferença fundamental é que nós falaremos ao povo como um todo, e os blancos querem transferência de voto. Não acredito nisso."

Penades também não vê possibilidade de transferência automática, mas acredita que o a disputa só ficará clara com as próximas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. "Pode haver gente que votou na Frente Ampla que a abandone. Agora não votamos em partidos, votamos em uma pessoa ou outra. É a partir daí que vamos ver se nossa empolgação inicial vai se confirmar, como eu espero", afirmou.

Nas pesquisas de intenção de voto divulgadas antes do primeiro turno, Mujica aparecia como favorito, com cerca de 65% do eleitorado.

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