Enviado de Obama chega amanhã a Honduras para tentar solucionar crise

Do UOL Notícias Em São Paulo*

O governo Barack Obama vai enviar a Honduras seu secretário-assistente para o hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon. O secretário chega nesta quarta-feira (28) para tentar solucionar a crise entre o presidente deposto, Manuel Zelaya, e o presidente golpista, Roberto Micheletti.

Hoje, está prevista a chegada a Honduras do secretário de Assuntos Políticos da Organização dos Estados Americanos (OEA), o boliviano Víctor Rico, que já liderou uma missão técnica do organismo em Tegucigalpa semanas atrás.

De acordo com Victor Meza, chefe da comissão negociadora do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, os dois enviados criarão "uma situação mais propícia para um acordo" com a delegação do presidente golpista, Roberto Micheletti, depois que o diálogo sobre a crise política foi dado como fracassado na sexta-feira passada por Zelaya.

Os Estados Unidos dizem estar desapontados com um impasse nas negociações, que deveriam resolver a crise deflagrada com o golpe de Estado de 28 de junho, que tirou Zelaya do poder e o expulsou do país.

Os esforços por um acordo foram suspensos quando se chegou à questão de se o presidente Zelaya deveria ser reconduzido ao poder e ter permissão para encerrar seu mandato, que termina em janeiro. A última rodada de diálogo fracassou na sexta-feira depois que Zelaya se retirou das negociações.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, conversou com Micheletti e Zelaya por telefone na noite de sexta-feira para exortá-los a fazer concessões. "A secretária discutiu com cada um deles estratégias para levar (...) o processo adiante. Ela exigiu que ambos mostrem flexibilidade e redobrem seus esforços para pôr um fim a essa crise", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Virginia Staab.

Eleições
O presidente deposto, que está abrigado na embaixada brasileira desde que voltou clandestinamente ao país, disse que decidiu abandonar o diálogo porque acredita que a equipe de Micheletti estava tentando ganhar tempo para as eleições presidenciais de 29 de novembro.

Zelaya diz que a recusa de Micheletti de reinstalá-lo no poder vai tirar a legitimidade da eleição e isolar ainda mais o governo de facto.
Com a decisão, Zelaya parece estar querendo forçar os Estados Unidos e os governos da América Latina a abandonarem as esperanças de um acordo e, em vez disso, pressionar Micheletti a renunciar para garantir a legalidade do pleito.

Honduras corre o risco de ficar isolada se a comunidade internacional não reconhecer o vencedor da eleição

Outro enviado da OEA a Honduras, John Biehl, disse nesta segunda-feira em Washington a uma rádio chilena que é preciso que "as eleições sejam realizadas com um governo institucional e que o governo de facto não esteja instalado no poder." Ele se mostrou confiante em que nesta semana se possa chegar a um acordo.

O Centro Carter antecipou que não enviará observadores à eleição por não haver um acordo prévio que ponha fim à crise, o que parece distante porque as negociações estão estancadas, disseram nesta segunda-feira representantes dos dois lados.

Campanha presidencial
Alheio às exigências de Zelaya para retornar ao poder até completar seu mandado, em janeiro, o candidato que lidera as pesquisas, o nacionalista Porfirio Lobo, disputa sua segunda eleição presidencial. Em seguida nas pesquisas está o liberal Elvin Santos.

Lobo, de 61 anos, empresário do setor agrícola, apelidado de "Pepe", tenta se afastar do conflito. Ele promete erradicar a pobreza, que afeta 60 por cento dos hondurenhos, e acabar com a incerteza que afasta os investimentos estrangeiros.

*Com informações das agências internacionais

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