Comportamento de atirador de base militar nos EUA preocupava o exército

Do UOL Notícias* Em São Paulo

A religiosidade e o comportamento "estranho" do major Nidal Malik Hasan, 39, preocupavam seus supervisores e professores de medicina em Maryland, onde o acusado de atirar em dezenas de pessoas em uma base militar na semana passada completou seus estudos em psiquiatria. O tiroteio em Fort Hood, no Texas, deixou 13 mortos e 29 feridos. No entanto, as preocupações nunca se traduziram em indícios de que Hasan fosse violento ou perigoso.

A imprensa americana informou hoje que o psiquiatra militar vai ser indiciado pelo massacre na base de Fort Hood.
  • AFP

    Imagem do atirador divulgada pelo Exército dos Estados Unidos


Sob condição de anonimato, um militar contou à agência France Presse que os superiores de Hasan na universidade militar e no centro médico Walter Reed o descreviam como um estudante medíocre e trabalhador preguiçoso, que às vezes ficava agressivo, defensivo e briguento em suas frequentes discussões sobre o Islã. Muçulmano praticante, o atirador frequentava uma mesquita em Silver Springs, perto de Washington, na época que trabalhava e estudava em Maryland.

Além disso, outros militares de alta patente tinham dúvidas sobre as missões a que ele seria enviado após completar seu treinamento médico. A opção por Fort Hood foi o consenso, porque lá outros médicos poderiam ajudar caso ele não desse conta da carga de trabalho, e seus superiores poderiam documentar qualquer problema de comportamento que ele apresentasse. Ainda segundo o militar, questionava-se se Hasan deveria permanecer no exército.

Em reuniões mensais no início de 2008, os superiores de Hasan concluíram que ele não tinha sinais de problemas mentais ou fatores de risco que pudessem prever comportamento violento. Mas como outros aspectos levavam a crer que o major poderia continuar crescendo dentro do exército, as preocupações foram amenizadas.

Saúde mental no exército

Os comandantes que dirigem a base de Fort Hood, a maior do Exército dos Estados Unidos no território do país, recomendaram hoje aos soldados afetados mental e emocionalmente pelo massacre da semana passada que "busquem apoio e ajuda". "A mensagem de Fort Hood neste Dia dos Veteranos é: seguimos adiante", disse o coronel John Rossi, em entrevista coletiva.


Alguns médicos e funcionários do centro Walter Reed temiam julgar Hasan injustamente por terem pouco conhecimento sobre o islamismo. Isso porque as fortes opiniões sobre religião que o psiquiatra defendia não eram diferentes das de outros soldados religiosos.

Os supervisores do major chegaram a mandá-lo assistir aulas sobre o Islã, Oriente Médio e terrorismo, informou a edição desta quinta-feira (12) do jornal "Washington Post". A ideia era estimular o estudante a produzir trabalhos sobre as preocupações dos soldados muçulmanos nas forças armadas americanas.

Hasan concluiu dois estudos sobre o tema: um trabalho de conclusão da residência médica, no qual defendia que soldados muçulmanos poderiam ser dispensados de lutar em guerras com outros muçulmanos na condição de objetores de consciência; e uma dissertação de mestrado em saúde pública que discutia os conflitos religiosos nos soldados americanos que professam o islamismo.

Logo após o tiroteio que matou 13 pessoas em Fort Hood, familiares do acusado de autoria dos disparos disseram à imprensa que ele tentava deixar o Exército por medo de ser enviado ao Iraque ou ao Afeganistão. No entanto, o Pentágono não encontrou evidências de que ele tenha tentado formalmente se afastar do serviço militar por objeção de consciência ou qualquer outro motivo.

No fim do ano passado, uma força-tarefa investigativa liderada pelo FBI descobriu que Hasan tinha contatos com um clérigo muçulmano radical, que encorajava os fiéis a matar soldados americanos no Iraque. No entanto, a informação não chegou a ser reportada porque concluiu-se que o major não tinha ligações com o terrorismo.

* Com informações de AP e AFP

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