Mortes de militares estrangeiros no Afeganistão crescem 58% no governo Obama

Thiago Chaves-Scarelli Do UOL Notícias Em São Paulo

O número de militares estrangeiros mortos em operações no Afeganistão já cresceu 58% em 2009, primeiro ano do governo do presidente norte-americano Barack Obama, em comparação com todo o ano de 2008, último período do governo republicano de George W. Bush.

De acordo com os números do site independente icasualties.org, foram registradas este ano 468 mortes entre os soldados da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão - um aumento de mais de 58% em relação aos 295 mortos de 2008. Os dez primeiros meses de 2009 já são, dessa forma, o período mais violento dos oito anos de guerra no país.



Ainda segundo o levantamento do icasualties.org, ao todo 1.515 militares morreram no Afeganistão desde 2001, quando Bush iniciou uma ofensiva militar no país, logo após os ataques terroristas de 11 de Setembro. O objetivo era combater as forças da Al Qaeda e do Taleban que, segundo o governo norte-americano, ofereciam suporte a ações terroristas contra os Estados Unidos.

Um mês depois dos ataques às Torres Gêmeas de Nova York, um primeiro contingente de 1.300 soldados dos EUA foi mandado ao Afeganistão. Desde então, aumenta ano a ano o número de soldados estrangeiros em operação no país, vinculados principalmente à Operation Enduring Freedom (OEF), liderada pelos Estados Unidos, e à International Security Assistance Force (Isaf), subordinada à Otan e com participação de 43 países. Ao todo, estão no Afeganistão hoje mais de 65 mil militares norte-americanos, além dos soldados de outras nacionalidades.



E o número ainda pode aumentar. Obama se reuniu na última quarta-feira (11) com seus assessores para avaliar cenários do conflito no Afeganistão, mas ainda não se decidiu entre as propostas de atuação que lhe foram apresentadas - uma das quais, com apoio de uma parte dos assessores, incluiria o envio de mais 30 mil soldados ao front.

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Segundo os militares, esse contingente seria necessário para garantir o avanço da coalizão nas áreas controladas por forças Talebans, um dos fatores cruciais para o sucesso da missão norte-americana no país. Sem isso, fica em dúvida a capacidade do governo de Cabul de resistir ao assédio dos extremistas e estabilizar o Estado, como sonham os governos do Ocidente.

De fato, o horizonte das operações, segundo Obama, inclui passar toda a responsabilidade pela segurança do país para as mãos das forças militares locais. Segundo um relatório recente do secretariado-geral da ONU sobre a situação no Afeganistão, há motivo para acreditar que isso será possível: "O Exército Nacional Afegão continua a recrutar e treinar mais rápido do que esperado. O contingente alcançou 93 mil soldados em julho de 2009 (...). A perspectiva de atingir a meta de 134 mil soldados em dezembro de 2011 portanto continua realista".

Obama sabe que essa meta está vinculada ao fim da campanha militar no país e precisa conseguir fazê-lo o quanto antes, já que seu próprio governo já virou alvo de críticas por parte da população norte-americana, que questiona a longa duração do conflito e o modo como é conduzida essa guerra.

Números da CNN: 1.506 mortos e 4.434 feridos no Afeganistão
Uma outra fonte que também recolhe dados sobre as vítimas da guerra no Afeganistão traz números semelhantes. O levantamento da rede norte-americana CNN indica que, ao todo, houve no Afeganistão 1.506 mortes de militares da coalizão, dos quais 912 norte-americanos, 11 australianos, 1 belga, 232 britânicos, 133 canadenses, 3 tchecos, 26 dinamarqueses, 21 holandeses, 6 estonianos, 1 finlandês, 36 franceses, 31 alemães, 2 húngaros, 22 italianos, 3 letãos, 1 lituano, 4 noruegueses, 15 poloneses, 2 portugueses, 11 romenos, 1 sul-coreano, 26 espanhóis, 2 suecos e 2 turcos. Esse levantamento segue os anúncios oficiais feitos pelos governos. Pelo menos 4.434 pessoas foram feridas em ação, segundo o Pentágono.

No Iraque, apesar de maior contingente, cai número de mortes

  • No Iraque, principal front do governo Bush, existem hoje mais de 120 mil militares norte-americanos. Apesar do grande contingente, situação no país é mais calma do que nos últimos anos do governo do presidente republicano. Em 2008, segundo o icasualties.org, 322 militares estrangeiros morreram no país, dos quais 314 norte-americanos, enquanto nos primeiros dez meses de 2009 as baixas das tropas ocupantes foram 142, um número cerca de 55% menor


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