Governo do Irã é surpreendido com a hipótese de Petrobras suspender atividades em território iraniano

Renata Giraldi e Ivanir José Bortot Da Agência Brasil

A possibilidade de a Petrobras encerrar as atividades no Irã pegou o governo iraniano de surpresa a menos de uma semana da visita do presidente Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil. Em entrevista hoje (17) à Agência Brasil, o embaixador do Irã em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, afirmou desconhecer esta hipótese e não acredita que o Brasil se submeteria a pressões internacionais optando pelo fim dos projetos na Região Sul iraniana.

"Para nós, o Brasil é um país forte e independente. Achamos que nenhum outro país influenciará o governo brasileiro. O Irã é o coração energético do mundo. Temos recursos energéticos para, pelo menos, mais 150 anos", afirmou Shaterzadeh. "O escritório da Petrobras no Oriente Médio está instalado no sul do Irã. Temos muitos projetos de trabalho juntos."

Ontem (16), o diretor internacional da Petrobras, Jorge Zelada, afirmou que a empresa analisa a hipótese de encerrar suas atividades no Irã depois da perfuração de dois poços no país. De acordo com informações de especialistas da empresa, as atividades no Irã seriam subcomerciais e as concessões estão sendo devolvidas ao governo iraniano.

No entanto, especialistas afirmam que a motivação para o fim da parceria seria a pressão do governo dos Estados Unidos, que submetem o Irã a embargos e por esta razão atuam para que a empresa brasileira encerre suas atividades. Shaterzadeh demonstrou surpresa com a possibilidade e relacionou a importância econômica do Irã no setor de petróleo, energia e petroquímica.

O embaixador do Irã no Brasil afirmou que apenas neste setor há cerca de US$ 1 bilhão de investimentos. "A maior indústria de gás está no Irã", disse. Segundo ele, há dez refinarias em funcionamento em seu país, mais 40 projetos em desenvolvimento na área de petroquímica e vários outros em prospecção de petróleo.

Questionado se temia a pressão externa sobre investimentos brasileiros no Irã, Shaterzadeh foi objetivo: "Nós acreditamos que esta pressão dos Estados Unidos não afetará esses projetos [em desenvolvimento por brasileiros no Irã]".

No fim de semana, Ahmadinejad desembarca em Brasília com uma comitiva de 300 pessoas, na maioria de empresários. São executivos que atuam nas mais diferentes áreas, como mineração, agricultura, agronegócios e pesquisas. A visita do iraniano gera críticas e ocorre uma semana depois de o presidente de Israel, Shimon Peres, ter estado no Brasil.

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