Sobe para 46 o número de mortos em chacina nas Filipinas; governo decreta estado de emergência

Do UOL Notícias* Em São Paulo

O número de mortos em um massacre nas Filipinas subiu para 46 nesta terça-feira (24), segundo a polícia local. O governo filipino decretou hoje estado de emergência em duas províncias e em uma cidade após o crime que chocou o país.

A violência parece estar relacionada às rivalidades políticas entre candidatos antes das eleições para o governo da província, programadas para maio de 2010. Muitas das vítimas do massacre na província de Maguindanao são mulheres do poderoso clã Mangudadatu. Cerca de 12 jornalistas também estavam entre os mortos.

As províncias vizinhas de Maguindanao e Sultan Kudarat e a cidade próxima de Cotabato City estão sob o regime de estado de emergência por tempo indeterminado, que concede a militares e policiais poderes para ordenar prisão.
  • Erik de Castro/Reuters

    Policial se aproxima de corpo de vítima de chacina que ocorreu no sul das Filipinas


"Há a necessidade urgente de prevenir e acabar com a ocorrência de vários outros incidentes de violência", disse o secretário de Imprensa, Cerge Remonde, durante o anúncio do estado de emergência.

Soldados usavam escavadeiras e as próprias mãos para escavar um terreno em Maguindanao para desenterrar as vítimas do massacre de segunda-feira (23). O porta-voz da polícia, Leonardo Espina, disse que 46 corpos foram encontrados.

Um fotógrafo da agência de notícias "Reuters" no local do crime disse que muitos corpos tinham perfurações causadas por tiros e ferimentos provocados por facões. Alguns homens mortos tinham suas mãos presas nas costas e uma das mulheres estava grávida
  • Arte UOL


Os Mangudadatus, acompanhados por advogados e jornalistas, estavam a caminho de uma reunião para nomear um de seus integrantes para as eleições de maio. Nenhum homem estava presente, pois se acreditava que as mulheres não atrairiam o ataque de rivais.

No entanto, cerca de 100 homens armados obrigaram o grupo a seguir até a estrada e o atacaram com tiros de fuzil M-16 e facões, na segunda-feira (23).

Entre os mortos está Genalyn Tiamzon-Mangudadatu, cujo marido Esmael pretendia concorrer ao governo de Maguindanao contra Datu Andal Ampatuan, chefe de outra poderosa família local.

Ampatuan, um aliado da presidente das Filipinas, Gloria Arroyo, foi eleito governador de Maguindanao três vezes. Um de seus filhos é governador da região autônoma muçulmana Mindanao, uma área que cobre seis províncias. A cidade próxima ao local do massacre tem o nome de sua família.

Ninguém dos Ampatuans comentou o caso. Nenhuma prisão foi feita até o momento. O secretário do Interior, Ronaldo Puno, disse que as investigações seriam encerradas em poucos dias e prisões seriam feitas.

O processo eleitoral para as votações nacionais de maio de 2010 começaram na última semana com a disputa de candidatos pelos mais de 17.800 cargos nacionais e locais.

Eleições nas Filipinas são tradicionalmente envolvidas por violência, especialmente no sul, onde forças de seguranças enfrentam rebeldes comunistas, radicais islâmicos e rivalidades de clãs.

*Com informações da Reuters

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