Estudantes hondurenhos ocupam universidade em protesto contra golpe que destituiu Zelaya

José Donizete Enviado especial da Agência Brasil Em Tegucigalpa (Honduras)

Os estudantes tomaram simbolicamente o campus da Universidade Autônoma de Honduras, nessa quinta-feira (26). A polícia não apareceu e, no final do dia os alunos deixaram o prédio. Com cinco mil alunos, a universidade é a instituição pública de educação superior mais importante do pais. No período de eleições a instituição é o centro de votação.

Marvin Gutierrez, um dos organizadores do ato, disse à "Agência Brasil" que a manifestação foi um protesto pacífico contra o golpe de Estado que destituiu o presidente Manuel Zelaya. Os estudantes também pediam à população para não ir às urnas no próximo domingo. Alguns professores continuaram as aulas do lado de fora da universidade.
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No início da tarde de ontem, a Suprema Corte de Justiça enviou ao Congresso hondurenho o parecer jurídico sobre a situação de Zelaya, sem adiantar oficialmente as conclusões.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos, a Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público também já entregaram seus informes. O Congresso ficou de divulgar sua decisão em 2 de dezembro, três dias depois das eleições.

No final da tarde, um novo atentado aumentou o clima de apreensão que toma conta do pais. Uma bomba de fabricação caseira explodiu dentro de um ônibus intermunicipal na rodovia que vai de San Pedro Sula a La Ceyba, na Região Norte de Honduras.

No veículo, de propriedade da empresa Catisa, do presidente golpista Roberto Micheletti, havia seis passageiros e apenas uma mulher feriu-se levemente.

Outra bomba igual à que explodiu foi encontrada dentro do ônibus e desativada pelos policiais em um terreno baldio.

Há três dias Micheletti está fora do governo e um conselho de ministros comanda o país. O Ministério das Relações Exteriores de Honduras repudiou as últimas declarações do governo brasileiro em defesa do adiamento por pelo menos duas semanas das eleições no país, programadas para o próximo domingo (29).

Para o ministério essas manifestações representariam um intervencionismo inédito do Brasil nos assuntos internos de Honduras.

No final do dia, em cadeia nacional de rádio e TV o Tribunal Supremo Eleitoral conclamou a população a votar e garantiu que não faltará segurança para todos.

Em Manaus, durante a Cúpula dos Países Amazônicos e França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou que o Brasil não muda a posição a situação em Honduras.

Ele disse que da forma como o processo vem se desenrolando o Brasil não reconhecerá o resultado eleitoral e não retomará relações com o país da América Central.

Em San Pedro de Sula, o maior centro econômico do país, líderes da resistência informaram no início da noite de ontem que estão preparando uma marcha no próximo domingo pelo boicote às eleições.

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