Diplomata japonês assume a diretoria da AIEA

Do UOL Notícias* Em São Paulo

O novo diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Yukiya Amano, assume o posto deixado por Mohamed El Baradei nesta terça-feira (1º), após 12 anos de gestão do diplomata egípcio. Amano chega ao cargo com apoio dos Estados Unidos e desconfiança dos países não-alinhados e em desenvolvimento.

Nos próximos seis anos, o novo diretor terá de enfrentar problemas de financiamento a as incertezas geradas pelo programa nuclear do Irã - há sete anos, a agência tenta esclarecer se o programa iraniano é de natureza pacífica, como alega Teerã, ou tem objetivos militares. Outro problema que continua sem solução é o programa nuclear da Coreia do Norte, que fez seu segundo teste de arma nuclear no começo deste ano.
  • Joe Klamar/AFP

    El Baradei (à esq.) deixa a diretoria da AIEA para dar lugar ao diplomata japonês Yukiya Amano


Formado em Direito pela Universidade de Tóquio, Amano entrou para o Ministério do Exterior japonês em 1972. Sua carreira bem-sucedida inclui períodos como diretor dos departamentos científicos, de energia nuclear e controle de armas do ministério japonês; embaixador do Japão nos Estados Unidos, Bélgica e Laos; cônsul na França; e delegado na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, na Suíça. Também participou de painéis da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mísseis, desarmamento e não-proliferação de armas.

Em uma entrevista ao jornal austríaco "Die Presse" após sua eleição à AIEA em julho, o diplomata japonês disse que sua origem reforçava sua posição contra a proliferação de armas nucleares, mesmo tendo nascido em 1947 - depois da explosão da bomba atômica sobre o Japão.

"Sou um opositor resoluto da proliferação das armas nucleares porque sou de um país que sofreu com as experiências de Hiroshima e Nagasaki", disse ele na época, segundo a BBC.

O perfil exclusivamente técnico de Amano contrasta com o estilo mais político de El Baradei, que muitas vezes foi criticado pelos países ocidentais por demorar demais para agir em relação ao Irã. O egípcio, que defendeu durante toda a sua administração a negociação como forma de superar os conflitos, foi criticado principalmente pelo governo americano de George W. Bush. Um dos principais enfrentamentos entre Bush e El Baradei foi sobre invasão do Iraque - o então chefe da AIEA insistia que o país árabe não possuía armas de destruição de massa, argumento que foi usado pelos EUA para justificar a ofensiva.

"A relação de adversário não era produtiva", disse William H. Tobey, um ex-funcionário do Departamento de Energia dos EUA, sugerindo que a disputa entre El Baradei e a Casa Branca acabava por beneficiar o Irã na questão nuclear.

Também diferente de El Baradei, que foi consenso para a chefia da AIEA nas três vezes em que foi eleito, Amano precisou de várias rodadas de votação para ser aprovado para o cargo.

"Sua primeira gestão será usada para polir as relações com o G-77 (grupo de países em desenvolvimento) e os não-alinhados", especulou um diplomata ocidental à agência Efe, sob condição de anonimato. O mesmo diplomata disse que Amano é um homem "cauteloso", e que já anunciou que só anunciará sua linha de atuação após os primeiros seis meses de administração, durante os quais pretende aprender exatamente como funcionam os mecanismos que envolvem a agência.

No entanto, o diplomata disse também que a estratégia para o Irã não deve mudar radicalmente, já que a posição da AIEA depende do "grau de colaboração de Teerã".

*Com informações de AP e Efe

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