No segundo dia de julgamento, promotor diz que John Demjanjuk era seguidor do nazismo

Do UOL Notícias* Em São Paulo

No segundo dia de julgamento do aposentado de origem ucraniana John Demjanjuk, acusado de colaborar com a morte de 27.900 judeus que foram enviados à câmara de gás durante a Segunda Guerra Mundial, os promotores alegaram que o réu era um seguidor da ideologia racista de Adolf Hitler que se ofereceu para trabalhar no campo de Sobibor, na Polônia, porque queria ver os prisioneiros mortos.

O indiciamento de Demjanjuk, 89, foi lido nesta terça-feira (1º) no tribunal regional de Munique, na Alemanha. O suspeito de ter sido vigia em Sobibor no final da Segunda Guerra chegou à corte novamente em uma cadeira de rodas, usando um boné e coberto com uma manta para aquecer as pernas.

Segundo a revista alemã "Der Spiegel", Demjanjuk sofre de gota e foi recentemente diagnosticado com leucemia - sua expectativa de vida é de menos de um ano. Sua família reclama que, em estado terminal da doença, ele não poderia ir a julgamento.

Demjanjuk exibiu poucas reações, mas colocou a mão esquerda sobre a testa quando o promotor Hans-Joachim Lutz descreveu como pertences e roupas foram tirados dos judeus que eram prisioneiros no campo de extermínio, e depois levados nus às câmaras de gás. O acusado sustenta que era um soldado soviético que foi capturado pelos alemães e passou a maior parte dos meses finais da guerra em prisões militares.

Lutz insistiu ao painel de cinco juízes que pretendia provar que Demjanjuk se ofereceu voluntariamente para servir aos militares nazistas após ser capturado, e foi um colaborador ativo no Holocausto. O promotor disse que o acusado foi treinado como guarda da SS em Trawkini e depois colocado no campo de extermínio de Sobibor, na Polônia ocupada pelos nazistas, em 1943.

"Como guarda, ele participou de várias etapas do processo de extermínio após a chegada dos trens", afirmou Lutz, lendo as acusações formais.

O promotor argumentou que Demjanjuk poderia ter desertado, mas decidiu ficar no campo. "Ele participou ativamente da matança de judeus porque quis vê-los mortos por seus próprios motivos ideológicos."

O juiz que preside o julgamento, Ralph Alt, perguntou a Demjanjuk se ele gostaria de responder ao indiciamento, mas seu advogado, Ulrich Busch, disse que ele não faria nenhum comentário.

Durante um rápido intervalo após a leitura das acusações, um médico checou os sinais vitais do réu, que parecia mais animado do que durante os procedimentos de ontem (30).

A defesa sustenta que a promotoria não tem testemunhas que lembrem de Demjanjuk em Sobibor, e que as outras evidências usadas no caso são fracas. Os advogados sugerem que o ucraniano é vítima de uma confusão de identidades - algo que já aconteceu antes.

Em 1986, Demjanjuk foi deportado para Israel para ser julgado como "Ivan, O Terrível", um guarda famoso por seu sadismo que serviu no campo de Treblinka. Dois anos depois, em 1988, ele foi sentenciado à morte, mas a condenação foi cancelada quando evidências de que outro homem que seria "Ivan" chegaram à Justiça israelense.

Busch entrou com um pedido para suspender o protesto, argumentando que o procedimento de deportação, em vez de extradição, de Demjanjuk dos EUA à Alemanha foi ilegal, e que como as acusações sobre Sobibor já haviam sido usadas em Israel o processo atual é o segundo julgamento do acusado pelo mesmo crime. Moções similares antes do julgamento foram rejeitadas.

Caso seja condenado, Demjanjuk pode pegar até 15 anos de cadeia. No entanto, parte da pena pode ser descontada pelo tempo que ele passou preso em Israel. Mas mesmo que seja inocentado, ele provavelmente terá de permanecer na Alemanha, já que o governo americano cassou sua cidadania. Ele vivia nos EUA desde 1951.


*Com informações da AP

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