Eleição na Bolívia ocorre em clima de tranquilidade; Morales é favorito

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Mais de 5,1 milhões de eleitores bolivianos votam hoje (6) para escolher o presidente que deverá governar o país pelos próximos cinco anos. Entre os oito candidatos, o favorito é o atual presidente Evo Morales, líder com forte ligação com a ampla população indígena do país e com o importante apoio dos governos vizinhos, principalmente Brasil e Venezuela.

Além da escolha entre oito candidatos a presidente e os candidatos a vice, os bolivianos também deverão decidir a composição da Assembleia Plurinacional Legislativa, que vai ser formada por 130 deputados e 36 senadores e que substituirá o antigo Congresso.

Em entrevista por telefone à Agência Brasil, o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), que está em La Paz acompanhando o processo eleitoral como observador brasileiro, disse que as eleições na Bolívia tiveram início às 7h com um breve pronunciamento do presidente da Corte Nacional Eleitoral (CNE), Antonio Costas, e com o hino nacional. De manhã, Dr. Rosinha visitou cinco colégios eleitorais e diz que há muitas filas, mas que o processo corre com tranquilidade.

"Minha compreensão pessoal é de que o processo eleitoral é bastante seguro e confiável", afirmou o deputado, acrescentando que amanhã (7) de manhã deverá participar de reunião com representantes da CNE para tratar das eleições.

Morales favorito
As pesquisas de opinião indicam que Morales deverá ser reeleito hoje e manter-se no poder por mais cinco anos. Pela legislação boliviana, para ser eleito basta que o vitorioso obtenha 50% do total de votos mais um ou então 40% (dos votos) com uma diferença de mais de 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado.

Líder do Movimento Esquerdista Boliviano Cocalero, Morales, de 50 anos, ganhou notoriedade internacional ao vencer as eleições, em primeiro turno, para presidente em 2005. Seu principal opositor no pleito deste domingo é Manfred Reys Villa, ex-governador de Cochabamba.

Primeiro indígena a chegar ao poder, Evo Morales é alvo de uma série de polêmicas em decorrência de suas ideias. O boliviano defende o plantio de coca como símbolo da tradição dos povos indígenas e liderou movimentos em favor de modificações na Constituição e na legislação eleitoral de seu país. É também um dos defensores mais duros de uma política de resistência à ingerência norte-americana em temas da América Latina.

Apesar de chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "amigo", Morales não poupou o Brasil de suas ações. Em março de 2006, o boliviano anunciou a estatização de duas refinarias da Petrobras em seu território e impôs aumento no preço do gás comprado pelo Brasil. A iniciativa gerou controvérsias e prejuízos.

Em agosto de 2008, após a realização de um referendo revogatório de mandatos, Morales foi mantido no cargo de presidente. Ele conseguiu o apoio de 67,4%. Com um discurso incisivo e original, o presidente boliviano manteve o estilo de líder indígena inclusive nas roupas.

Recentemente, em setembro, Lula foi presenteado por Morales com um agasalho típico dos indígenas bolivianos - feito com lã colorida - e usou a peça durante um evento na cidade de Chimoré (interior da Bolívia). O boliviano, porém, não esconde que suas referências políticas são o ex-presidente de Cuba Fidel Castro e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.



*Com informações da Agência Brasil

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