Embaixador descarta motivação política em ataque a brasileiros no Suriname

Renata Giraldi Da Agência Brasil

Uma semana depois do ataque a brasileiros no Suriname, o governo surinamês prendeu 41 suspeitos, inclusive o assessor pessoal do prefeito da cidade de Albina (a 150 quilômetros de Paramaribo, capital do país vizinho), onde ocorreram as agressões. À Agência Brasil, o embaixador brasileiro em Paramaribo, José Luiz Machado e Costa, descartou a possibilidade de motivação política na violência contra os brasileiros. Segundo ele, foi um ato de "vandalismo e criminalidade comum". O diplomata reiterou o esforço do governo surinamês em apurar o caso e punir os responsáveis.

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    Com um território de apenas 163 mil quilômetros quadrados, um pouco maior do que o estado o Ceará, o Suriname é um país de cultura e etnia diversificadas. A população de 480 mil habitantes é formada por descendentes de europeus (principalmente holandeses, que foram os colonizadores), negros, hindus, javaneses e latino-americanos que migram para região em busca da sua principal e mais rentável atividade: a exploração de garimpos.

    A população do Suriname se considera privilegiada por causa de várias conquistas sociais, das influências dos holandeses na região e do vínculo mantido até hoje com o governo dos Países Baixos. Cerca de 90% dos habitantes têm o ensino fundamental concluído e dispõem de infraestrutura básica e água tratada.

    O Suriname tem sétimo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul, atrás de Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Venezuela e Colômbia. A expectativa de vida é de 73 anos. Os gastos públicos com saúde representam 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

    Mas a economia do país é frágil e dependente da produção de bauxita, ouro e derivados de petróleo, que representam 85% das exportações e 25% do orçamento estatal. A mineração da bauxita representa aproximadamente 15% do PIB do país. É um país essencialmente importador de bens de consumo.

    Brasileiros
    Dos cerca de 15 mil brasileiros que estão no país vizinho, a maioria vive ilegalmente no Suriname e depende da exploração das minas, concorrendo com os chamados "marrons". A disputa, aliada à suspeita de que um brasileiro seria o responsável pela morte de um quilombola, teria sido o estopim do ataque a um grupo de 200 garimpeiros na noite de 24 de dezembro

"A prisão do assistente pessoal do prefeito de Albina mostra o comprometimento do governo do Suriname em tomar providências e resolver o assunto", disse o embaixador. "Não há ação orquestrada com motivação política alguma. O que houve foi um ato de vandalismo e criminalidade comum", afirmou.

Costa tem desencorajado os brasileiros de retornarem a Albina. Segundo ele, o ideal é aguardar a orientação do governo do Suriname. "Os brasileiros só devem voltar a Albina depois que o governo do Suriname der garantias de que há controle absoluto da situação naquela região. Por isso, estamos desencorajando quem queira retornar para lá", disse.

Ontem (29), um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) buscou um grupo de 32 brasileiros - 22 homens, nove mulheres e uma criança - que estava no Suriname. Os brasileiros desembarcaram em Belém (PA). A atenção foi dada principalmente para os cinco feridos. Um deles pode ter o braço amputado e o outro teve a mandíbula fraturada.

Na madrugada do dia 24, cerca de 300 "marrons", quilombolas (descendentes de escravos) do Suriname, atacaram um grupo de 200 estrangeiros, entre brasileiros, chineses e javaneses que viviam em Albina.

Durante o ataque, houve agressões físicas, estupros e depredações. Há suspeitas de pessoas desaparecidas e mortas. Segundo relatos de brasileiros que vivem no Suriname, os quilombolas costumam matar suas vítimas e jogar os corpos nos rios e matas fechadas. Mas o Itamaraty não confirma.

Desde o ataque surgiram novas ameaças e, por questão de segurança, o governo do Suriname reforçou o policiamento em todas as áreas em que havia risco. Os brasileiros foram retirados de Albina e são orientados a evitar algumas regiões.

A embaixada informou que os brasileiros estão hospedados em quatro hotéis de Paramaribo, com as despesas pagas pelo Ministério das Relações Exteriores. A principal dificuldade para identificar os brasileiros é que a maioria que vive no Suriname está ilegalmente no país.

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