A três semanas da posse do novo presidente de Honduras, EUA tentam acordo para pôr fim à crise

Da Agência Brasil Em Brasília

A três semanas da posse do novo presidente de Honduras, Porfírio "Pepe" Lobo, ainda persiste o impasse político no país vizinho. Em busca de um acordo entre o presidente deposto, Manuel Zelaya, e o presidente de fato, Roberto Micheletti, o subsecretário adjunto para o Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, Craig Kelly, está em Tegucigalpa (capital hondurenha). O objetivo é tentar evitar que a crise se estenda até o futuro governo de "Pepe" Lobo.

Entenda a crise em Honduras

  • AP/Reuters


    Por que Manuel Zelaya foi deposto?

    Presidente desde 2006, Manuel Zelaya (esq.) liderou um governo que se afastou gradualmente do Partido Liberal que o elegeu, aproximando-se de governos de esquerda da América Latina, como Cuba e Venezuela. Ao implementar medidas populares, como um drástico aumento do salário mínimo, foi alvo de críticas dos empresários locais e aos poucos perdeu respaldo do Congresso.

    O ponto crítico veio com a proposta de reformar a Constituição, que Zelaya tentou encaminhar sem passar pelo poder legislativo, por meio de uma consulta popular que perguntava aos hondurenhos se eles aprovariam uma mudança constitucional.

    Juízes hondurenhos declararam a iniciativa ilegal, apoiados por uma cláusula legal que proíbe a alteração de certos trechos da Constituição (entre eles a proibição da reeleição presidencial). O exército então anunciou que não daria apoio logístico para o referendo, e Zelaya ordenou que seus aliados organizassem a eleição sem apoio militar.

    A Justiça entendeu que a ação era criminosa e ordenou a prisão do presidente. No dia em que aconteceria o referendo, militares entraram na casa presidencial, tiraram Zelaya da cama e colocaram-no em um avião ainda de pijamas. No mesmo domingo, uma falsa carta de renúncia foi apresentada e poder foi entregue ao próximo na linha sucessória: Roberto Micheletti (dir.), presidente do Congresso

    Por que Zelaya depois se abrigou na embaixada brasileira?

    Após ter sido deposto, Zelaya passou dois meses visitando governos em busca de apoio internacional. Em 21 de setembro, entrou escondido no país e foi para a embaixada brasileira em Honduras, que é considerada território brasileiro - com isso, Zelaya se protegia das ordens de prisão emitidas contra ele em Honduras.

    A intenção do presidente deposto ao voltar para o país era aumentar a pressão por um acordo, e chegou a clamar por protestos entre seus apoiadores desde o prédio da representação diplomática do Brasil. Segundo o governo brasileiro, que classifica Zelaya como "hóspede" e não impõe data para sua saída, a embaixada não tinha conhecimento dos planos do presidente deposto e não colaborou com seu retorno



Ainda nesta quarta-feira(6) Kelly tem reuniões com Micheletti em busca de uma solução para encerrar a crise. Ontem (5) o norte-americano esteve com Zelaya. É a quinta visita do subsecretário a Honduras desde o golpe de Estado ocorrido em junho do ano passado.

Em novembro de 2009, o governo dos Estados Unidos intermediou o Tegucigalpa-San José. Por meio desse acordo, Zelaya retornaria ao poder e Micheletti deixaria o cargo até o dia 27 de janeiro, quando "Pepe" Lobo assume a Presidência da República.

No entanto, em dezembro o Congresso Nacional de Honduras rejeitou o retorno do presidente deposto ao poder. A derrota foi expressiva: apenas 14 deputados foram favoráveis ao retorno de Zelaya ao governo e 111 parlamentares votaram contra a volta dele.

Desde o golpe de Estado que o retirou do poder em 28 de junho de 2009, Zelaya é substituído por Micheletti, cujo governo não é reconhecido pelas autoridades brasileiras. A auxiliares, o presidente deposto demonstra desânimo na possibilidade de um acordo.

Para Zelaya, Roberto Micheletti não tem interesse em deixar o cargo e ficará na Presidência até a posse do presidente eleito. Há quase quatro meses o presidente deposto está instalado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Da embaixada brasileira, Zelaya, acompanhado por assessores, cumpre suas atividades políticas que são policiadas do lado externo por um forte esquema armado montado pelo governo de Honduras. O presidente deposto e sua mulher não podem deixar a representação diplomática sob o risco de serem presos.

Paralelamente, o Brasil e vários países da América Latina, como a Argentina, o Paraguai, a Venezuela e a Nicarágua, resistem em reconhecer a legitimidade das eleições que deram a vitória a "Pepe" Lobo. Em posição oposta estão os Estados Unidos, o Peru, o Panamá e a Costa Rica, que defendem a legalidade das eleições em Honduras e o reconhecimento do futuro presidente como resultado de um processo democrático.

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