Instável e violento, Haiti é o país mais pobre das Américas

Maurício Savarese Do UOL Notícias Em São Paulo

Os dez milhões de habitantes do Haiti até alguns anos atrás tinham no próprio sangue seu principal produto de renome internacional, tanto por tragédias naturais e crises políticas - envolvendo dois dos ditadores mais violentos do mundo - como pela venda de plasma para países mais ricos, fonte de renda para até 80% da população que vive abaixo da linha da pobreza na nação caribenha.

No ranking do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, que leva em conta diversos indicadores, o Haiti aparece na 146ª posição. A expectativa de vida dos homens é de 59 anos e a das mulheres, 63. O país importa a maior parte dos seus alimentos, é infestado por gangues suburbanas e foi quase completamente desmatado por seus colonizadores desde sua descoberta.

O país, abalado por um terremoto na terça-feira (12) que provavelmente causou milhares de mortes, foi encontrado pelo navegador italiano Cristóvão Colombo em 1492. Depois do assassinato dos nativos, os espanhóis dominaram a região até a chegada dos franceses, no início do século 17, quando a colônia produtora de açúcar se valia do trabalho escravo dos negros para se sustentar. O francês e o crioulo são os idiomas oficiais do Haiti.

A decisão da França de abolir a escravatura em suas colônias depois da revolução burguesa de 1789 estimulou mais de um milhão desse cativos a promover a independência do país em 1804, que, mais tarde, resultaria na divisão do Haiti - apenas reunificado 16 anos depois.

Após a reunificação, o Haiti passou por um longo período de turbulências - incluindo vários magnicídios: um presidente morreu envenenado, outro em um atentado, outro em um linchamento... Até que no início do século 20 os Estados Unidos intervieram por conta da falta de cumprimento com dívidas e reiniciaram a relação colonial. Com o Haiti reestruturado e uma oposição vigorosa, os americanos deixaram a região em 1941.

Uma série de governos eleitos em votações suspeitas se seguiu até a instauração da ditadura de François Duvalier, conhecido como "Papa Doc" - uma referência à sua formação de médico. Ele perseguiu, torturou e matou milhares de oposicionistas depois de se auto-declarar "presidente vitalício" do Haiti e garantir que seu filho o sucederia no regime sangrento. Isso aconteceu em 1971, quando assumiu Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, que, afastado por militares, deixaria o cargo apenas 1986.

Quatro anos de governos provisórios se seguiram até a eleição do ex-padre Jean Bertrand Aristide, ligado à esquerda católica. A democracia durou pouco, e o mandatário foi derrubado por militares e expulso do país. Ele retorna 1994 e no ano seguinte René Préval é eleito presidente pela primeira vez. Depois de relativa estabilidade, passa o poder a Aristide depois de uma votação cercada de suspeitas de fraude e com baixa participação popular.

Acusado de autoritarismo pela oposição, Aristide acabou destituído e exilado na África do Sul. Um governo interino assume até a segunda eleição de René Préval, em 2006. O estabelecimento de tropas das Nações Unidas, lideradas pelo Brasil, ajuda a acalmar os ânimos e dá estabilidade ao governo haitiano.

Tragédias
A ilha caribenha dividida por Haiti e República Dominicana é cortada por uma placa tectônica. A última vez em um forte terremoto abalou a região foi em 1751, de acordo com geólogos americanos. Há relatos na região de que "apenas um prédio não desabou" em um tremor datado de 1770.

Terremotos violentos atingiram a ilha onde fica o Haiti em 1872 e 1946 - o último produziu um tsunami que matou centenas de pessoas no país e também na República Dominicana.

Além dos abalos sísmicos, o Haiti também fica em uma região pródiga em furacões. Em 2004, o furacão Jeanne deixou mais de 2 mil mortos na cidade de Gonaïves. No ano retrasado, quatro furacões mataram centenas de haitianos e devastaram a economia local, ainda combalida.

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