Estamos dormindo no jardim ao som da cantoria religiosa, contam brasileiros no Haiti

Do UOL Notícias Em São Paulo

A população dorme nas ruas e períodos de silêncio são entrecortados por cânticos e clamores, sobretudo após os inúmeros tremores que se sucedem. É assim que Omar Ribeiro Thomaz, professor de Antropologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), descreve a situação em Porto Príncipe, no Haiti, 24 horas depois do terremoto de 7 graus que devastou o país. Ele e sete alunos estão desde o dia 31 de dezembro na cidade para uma pesquisa de campo em áreas de conflito.
  • Divulgação/Unicamp

    Montagem mostra as fotos de cinco dos estudantes da Unicamp que estão em Porto Príncipe


No blog do grupo, o professor explicou que eles passam a maior parte do tempo no jardim da casa onde estão hospedados, que não foi afetada pelo tremor, e que evitam ir ao segundo andar da construção.

"Estamos sempre atentos aos inúmeros tremores que se sucedem", disse. "Em frente a nossa casa, foram erguidas barraquinhas, onde dezenas de pessoas se preparam para passar mais uma noite. Os vizinhos servem comida e água para os que se abrigam nas barracas. Há pouco tocaram a nossa campainha. Nos convidaram para dormir nas barracas, compartilhando um espaço já pequeno, e afirmando ser perigoso nossa permanência na casa. Ficaram mais tranquilos quando viram que, por trás dos muros, dormimos no jardim", escreveu Thomaz.

Para Otávio Calegari Jorge, um dos estudantes do grupo, o terremoto representa "a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo", palco de intervenções, massacres e ocupações, que deixaram um rastro de falta de hospitais, lixo acumulado e casas feitas de areia. "O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados", contou.

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Segundo ele, a polícia haitiana está resguardando supermercados "destruídos de uma população pobre e faminta".

"Saindo às ruas em busca de água, o pessoal viu muitas pessoas feridas na rua, mortas, casas desabadas e pessoas retirando os escombros, além de briga por comida, saques, um tiroteio", completou o estudante Werner Pereira, no blog.

Ele escreveu que não viu os soldados da ONU nas ruas, como é o comum na rotina do país caribenho ocupado militarmente devido à política instável. Para Pereira, as tropas da ONU estariam no Hotel Montana, onde residem algumas autoridades das Nações Unidas no país.

Na hora do terremoto, o grupo estava dividido. Parte estava indo à Universidade do Estado para uma entrevista de um professor. Como estavam na rua, não sofreram nada. Outra parte estava em uma livraria, que não desabou com o tremor.

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"Eu estava na livraria. De repente, foi como se uma onda passasse pelos nossos pés e tudo começou a tremer. Corremos pro meio da rua e durante mais ou menos um minuto entre gritos e coisas caindo, ficamos perto um do outro. As pessoas começaram a levantar os braços gritando 'Jesus' e 'Bon Dieu', um posto de gasolina explodiu na quadra ao lado e feridos apareciam aos montes, dentro e fora dos escombros", descreveu Rodrigo Charafeddine.

"Ouvimos notícias de saques, e escutamos tiros. A sensação é de que talvez as coisas piorem. Já falamos com o exército e estamos tentando entrar em contato com a embaixada. Provavelmente sairemos daqui em algum tipo de evacuação", escreveu.

Os estudantes estão vivendo em uma casa em Porto Príncipe mantida pela ONG Viva Rio, que tem trabalhos sociais no país mais pobre das Américas. No total, 15 brasileiros vivem na residência.

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