Vantagem da direita do Chile não surpreende, dizem especialistas brasileiros

Renata Giraldi Da Agência Brasil Em Brasília


A corrida presidencial no Chile mostra que há poucas diferenças entre os candidatos da direita e esquerda, enquanto a desvantagem do esquerdismo na disputa é provocada pela falta de oxigenação de propostas. A análise foi feita por especialistas brasileiros à Agência Brasil. Os professores doutores da Universidade de Brasília (UnB) Amado Cervo e Virgílio Arraes observaram que Sebastián Piñeira (Alianza) e Eduardo Frei Ruiz (Concertación) têm muitos aspectos comuns.

"Não surpreende a vantagem da direita no Chile porque o país tem raízes conservadoras e neoliberais. O conservadorismo é muito presente no Chile nos aspectos político, econômico e social", afirmou Cervo, do Departamento de Relações Internacionais da UnB. "O Chile é um país bastante crítico em relação à política sul-americana no que se refere à ascensão de governos chamado de esquerda, como de Chávez [Hugo Chávez, da Venezuela] e Evo Morales [da Bolívia] à margem da globalização."

Tanto Piñeira como Frei estiveram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições. Ambos demonstraram interesse em manter as relações com o Brasil, intensificando o comércio bilateral, e em ações comuns.

"Antes de tudo, é necessário saber de que esquerda se fala no Chile", advertiu Arraes, especialista em relações internacionais. "A Concertación [de Frei e da presidente Michelle Bachelet] manteve a política social de Pinochet", disse. "A vantagem a Piñeira demonstra uma decepção do eleitorado, daí o novo 'pinochetismo' e até mesmo a falta de oxigenação da coligação Concertación."

Cervo e Arraes descartam a hipótese de retorno de admiradores do general Augusto Pinochet - presidente autoritário que governou o Chile de 1973 a 1990, depois de liderar um golpe de Estado e promover uma gestão repleta de denúncias de abusos, arbitrariedades, perseguições, torturas e até assassinatos.

"Não há essa possibilidade porque aquela figura-símbolo paterna não agrada mais. Não conecta mais porque há tantas denúncias contra ele [morto em 2006], que é um símbolo que não deve ser mais evocado", disse Arraes.

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