Oposição antecipa corrida eleitoral na Argentina e sonha em tirar o casal Kirchner da presidência em 2011

Do UOL Notícias Em São Paulo

As próximas eleições presidenciais da Argentina só devem acontecer na segunda metade de 2011, mas a corrida da oposição para encerrar a era Kirchner no país já começou - e promete incluir ex-aliados e velhos inimigos.

Um deles conseguirá tirar os Kirchner da Casa Rosada em 2011?

  • EFE/AP/Reuters/EFE

    Da esquerda para a direita: Julio Cobos, Carlos Menem, Eduardo Duhalde e Mauricio Macri


Embalados pelas avaliações negativas do governo K, figuras como Julio Cobos (atual vice-presidente, mas inimigo declarado de Cristina Kirchner), Maurício Macri (prefeito de Buenos Aires e ex-presidente do clube Boca Juniors) e os ex-mandatários Eduardo Duhalde e Carlos Menem já anunciaram que estão de olho na Casa Rosada.

"2010 é um ano de definições", afirma Juan Manuel Aurelio, diretor da consultora Aresco, em entrevista por telefone ao UOL Notícias . "Os pré-candidatos rapidamente saíram para anunciar suas intenções".

E começaram cedo: ainda em dezembro, Eduardo Duhalde, 68, que já esteve no poder entre 2002-2003, anunciou que está disposto a disputar as internas do Partido Justicialista, tirar o casal Kirchner da jogada e representar o peronismo no ano que vem.

"Sem dúvida, eu também vou brigar", respondeu, dias depois, Carlos Menem, outro justicialista que também já passou pela Casa Rosada (1989-1999).

No setor kirchnerista do partido, contudo, se fala em um novo mandato para Néstor Kirchner (2003-2007) ou uma reeleição para Cristina, que sucedeu o marido, embora nenhum deles tenha se manifestado publicamente sobre o tema até o momento. Pela Constituição argentina, as duas opções seriam possíveis.

A lista de presidenciáveis aumentou novamente no começo de janeiro, com as manifestações de Julio Cobos, atual vice-presidente, mas inimigo declarado de Cristina desde julho de 2008, quando usou seu direito de voto de desempate para derrubar a posição do governo em uma votação importante.

Em entrevista ao jornal argentino "Clarín", Cobos disse que "adoraria" enfrentar Néstor nas urnas, provavelmente representando o partido União Cívica Radical (UCR).

"Quem não quer ir a um segundo turno contra Kirchner?", emendou depois o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri. "Seria um sonho de criança". O empresário de 50 anos, que já foi presidente do popular clube de futebol Boca Juniors, seria o nome do partido Proposta Republicana.

Os Kirchner em crise
Para o analista Juan Manuel Aurelio, os recentes anúncios dos "presidenciáveis" não trazem novidade. "Agora está se consolidando um cenário que a sociedade já via", afirma.

Da mesma forma, o consultor não vê aumento de pressão sobre os Kirchner. Segundo Aurelio, o governo está em crise, mas devido a um processo que já caminhava para isso mesmo antes da antecipação eleitoral da oposição.

Segundo levantamento recente da Aresco, feito na província de Buenos Aires, 58,1% dos entrevistados têm uma visão negativa do atual governo, contra 25,3% de aprovação.

As opiniões contra o governo superam as posições a favor desde março de 2008, quando se intensificou o conflito entre Cristina e os produtores agrícolas. Na época, a iniciativa da presidência de aumentar o imposto sobre a exportação de grãos desencadeou greves patronais e desabastecimento. A tensão com o setor agrícola só acabou quando o vice-presidente, Julio Cobos, usou sua premissa legal de desempatar votações no Senado para derrubar os planos do governo e vetar o aumento.

Além de derrubar a popularidade do governo, a crise melhorou a imagem pública de Cobos, com efeitos que duram até hoje: 51,1% dos entrevistados têm boa impressão do político.

Entre os líderes citados pela pesquisa, Néstor Kirchner é o que tem pior desempenho, com mais de 63% de rejeição, acompanhado de perto pela esposa, com 57,3% de desaprovação.

"O cenário político da Argentina está fragmentado. Hoje não se vê nenhum candidato capaz de ganhar em primeiro turno", afirma o diretor da consultoria.

E em segundo turno? "Os Kirchner provavelmente perderiam contra qualquer oponente", responde Aurelio.

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