Fórum Social Mundial quer unidade nas propostas e mobilização permanente

Isabela Vieira Enviada Especial da Agência Brasil Em Porto Alegre

A defesa da unidade de propostas da sociedade e da mobilização permanente das organizações sociais marcaram as discussões de abertura do Fórum Social Mundial (FSM), hoje (25), na capital gaúcha.

Fórum começa com aplausos em solidariedade ao Haiti

Com uma mesa eclética e que em nada lembrava a abertura do primeiro evento ocorrido dez anos atrás, a edição de 2010 do Fórum Social Mundial (FSM) foi aberta nesta manhã (25) em Porto Alegre com uma homenagem: durante um minuto, os cerca de 200 participantes do debate de abertura bateram palmas em solidariedade ao povo haitiano, afetado por um terremoto.

Os organizadores do evento falaram sobre os desafios e avanços do encontro, que completa dez anos, e acirraram as críticas contra o neoliberalismo.

Um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, destacou o papel do fórum diante do enfraquecimento do neoliberalismo, após a crise financeira internacional, que desarticulou mercados e exigiu a intervenção dos Estados. Para o ativista, o fórum precisar ser fortalecido como espaço de mobilização.

"Continuamos com uma hegemonia total do capital, precisamos derrotá-lo. Vivemos em uma situação em que a maioria dos governos continua de direita, inclusive em Porto Alegre, onde nasceu o Fórum Social Mundial", ressaltou.

"Temos que aprofundar a discussão com os movimentos sociais, com a sociedade civil para romper com a essa sociedade hegemônica", completou a representante do Fórum Social Europeu, Raffaella Bollini. "Como uma rede que tem ideias para salvar o mundo, temos que colocá-las em prática."

Ao defender uma mudança de consciência individual e a articulação em torno de temas comuns, o empresário Oded Grajew destacou a necessidade da "mobilização constante, para que as propostas do fórum se transformem cada vez mais em políticas públicas".

O coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Econômicas e Sociais (Ibase), Cândido Grybowski, falou sobre a formação de uma "consciência global", forjada também nos dez anos de fórum. "O mais importante é desemperializar nossas cabeças para uma solução global", reforçou ao destacar a importãncia da rotatividade do evento, que passou também pela Índia, Venezuela, Quênia, nos últimos dez anos, e voltou ao Brasil em 2009, na edição de Belém (PA).

O ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra (à frente do governo nas primeiras edições do FSM) também avaliou que diante do novo cenário sócio-econômico, o desafio de repensar seu papel é ainda maior para o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos, na Suíça, contra o qual o fórum social também se articula.

"Depois da crise, que levou por água abaixo o discurso do estado mínimo, eles têm que repensar o que irão fazer. Nós, o FSM, não precisamos fechar para balanço, mas precisamos construir uma unidade", afirmou.

O Secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, também aproveitou para cobrar o aprofundamento das análises sobre o fórum econômico. "Não vejo na imprensa um artigo, uma reportagem falando sobre o fórum de Davos."

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