EUA ainda estão na disputa para a compra de caças ao Brasil, diz novo embaixador americano

Keila Santana

Especial para o UOL Notícias
Em Brasília

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse que foi informado pelo próprio governo brasileiro que o caça F18 da americana Boeing ainda não está fora da disputa para a compra dos aviões para a Força Aérea Brasileira. “Tive a oportunidade de falar com o presidente hoje. Sobre os aviões, o ministro [da Defesa] Jobim e o ministro [das Relações Exteriores] Amorim disseram que não há ainda uma definição do governo do Brasil”, disse.

Após a cerimônia de entrega das credenciais de embaixador ao presidente Lula, Shannon se apresentou à imprensa brasileira e ressaltou as qualidades da aeronave da empresa norte-americana Boing, o F18 F/A-18 Super Hornet. “O avião da Boing é um produto bom e merece a atenção do governo brasileiro”, disse.

Thomas Shannon sugeriu que os Estados Unidos ainda não perderam as esperanças sobre a vitória na concorrência com a Suécia e França. “Em termos de transferência de tecnologia, o governo dos Estados Unidos tomou uma decisão sem precedentes e isso mostra a confiança no Brasil. Estamos dispostos a tomar passos com o Brasil que no passado não poderíamos fazer”, afirmou.

Segundo o embaixador, a briga comercial não vai afetar as relações dos Estados Unidos com o Brasil ou França e Suécia. “É importante lembrar que França e Suécia são amigos e aliados. Esta é uma concorrência comercial que não vai afetar a relação entre os países”, disse.

Questionado se faltaria mais franqueza do Brasil em relação à negociação sobre os caças, já que há um ano existem especulações sobre a preferência aos aviões franceses Rafale, o embaixador Shannon disse que não trabalha com a hipótese de escolha prévia do governo brasileiro. “Franqueza é algo bom na diplomacia e os dois países podem trabalhar para melhorar a franqueza. O Super Hornet é um grande caça”, disse.

  • Eraldo Peres/AP

    O presidente Lula recebe o novo embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon, em Brasília

 

Jobim nega escolha por caças franceses

Mais cedo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou que o governo já tenha decidido comprar os caças franceses para a FAB (Força Aérea Brasileira). O Rafale da Dassault está disputando a preferência do Brasil com o F/A-18 Super Hornet da Boeing (americano) e o Gripen NG da Saab (sueco).

Segundo Jobim, não há fundamento na informação divulgada hoje de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria aceitado a oferta da empresa francesa Dassault em reduzir em 25% o preço das 36 aeronaves “Não está definida a compra dos caças. O processo ainda está no âmbito do Ministério da Defesa. A notícia não tem fundamento”, disse.

Jobim participa da reunião que faz o balanço de três anos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – e não se estendeu em dar explicações sobre o andamento do processo de escolha dos caças para a FAB.

Também hoje, o comando da Aeronáutica divulgou nota para negar a formalização da compra.

“A respeito da divulgação pela imprensa do suposto vencedor do processo de seleção dos novos caças multiemprego para a Força Aérea Brasileira (FAB), este Centro informa que o Comando da Aeronáutica não recebeu qualquer comunicação oficial sobre o assunto”, afirmou.

Reportagem da "Folha de S.Paulo" desta quinta-feira (4) afirma que após a empresa Dassault reduzir o preço final do pacote dos caças em US$ 2 bilhões, o presidente Lula e o ministro Jobim teriam batido o martelo e aceitado a proposta, apesar do caça Rafale ainda ter valor superior aos concorrentes Gripen da Suécia e F18 dos Estados Unidos, e também de ter ficado em último lugar no ranking de avaliação do relatório da FAB.

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