Novo embaixador americano nega que relação entre Brasil e Irã cause constrangimento aos EUA

Renata Giraldi
Da Agência Brasil
Em Brasília

O embaixador do Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, que acaba de assumir o posto, negou hoje (4) que a aproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad cause constrangimentos a seu país. Shannon tentou minimizar o mal-estar provocado pela visita de Ahmadinejad ao Brasil no ano passado, mas condenou o programa nuclear e a política de direitos humanos e sociais adotada pelo governo iraniano.

“O Brasil é soberano e vamos respeitar suas posições”, disse Shannon, na primeira entrevista coletiva desde que assumiu o posto. “[Mas nos preocupa] o programa nuclear do Irã e sua falta de transparência, a política do governo iraniano sobre direitos humanos e maneira como obriga à prática da religião [muçulmana] no país”, afirmou.

Perguntado se houve uma espécie de autorização do governo do presidente Barack Obama para Lula se aproximar de Ahmadinejad, o embaixador rebateu: “O Brasil não precisa pedir licença. Vamos respeitar as posições do Brasil. Temos um diálogo intenso com o Irã e outros países”, afirmou o diplomata, em um português fluente.

Shannon sugeriu que o governo de Ahmadinejad reveja suas posições, que supostamente contrariam os princípios democráticos. “Todos os países têm de medir a eficiência da sua democracia”, afirmou ele. “Todos os países têm de medir suas ações.”

Para o embaixador, a aproximação do governo brasileiro com o Irã está de acordo com as orientações do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “O Brasil está trabalhando de maneira cooperativa com outros países do Conselho de Segurança das Nações Unidos.”

Lula afirmou, em mais de uma ocasião, que apoia o programa nuclear do Irã para fins pacíficos. O Brasil desenvolve pesquisas na área de energia nuclear e integra o grupo de países que assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Na prática, são países que se comprometem a não fabricar armas nucleares.

No entanto, autoridades estrangeiras especialistas no setor levantam suspeitas sobre o programa nuclear iraniano. Para os especialistas, há ameaças de que usinas iranianas se destinem à fabricação de bombas a partir do urânio enriquecido. Ahmadinejad nega as acusações.

Shannon não mencionou a possibilidade de o governo do Irã negociar com o Brasil um intercâmbio para que o urânio produzido em terras iranianas seja enriquecido em solo brasileiro.

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