Jobim defende diálogo e sinaliza a manutenção do apoio brasileiro ao Irã

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu nesta terça-feira (9) o diálogo com o Irã, que decidiu enriquecer urânio a 20%, provocando forte reação da comunidade internacional.

Jobim criticou o que chamou de “radicalizações” e sinalizou que o Brasil poderá manter o apoio ao Irã. “O Brasil não é contra ninguém. Nós temos a tradição de resolver as coisas no diálogo”, ponderou.

Ele explicou que o enriquecimento de urânio a 20% é necessário para a fabricação de fármacos e alimentos, enquanto o procedimento a 5% serve para a produção de energia elétrica, o que também é feito na Usina de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Questionado se o Brasil deveria comprar a briga em favor do Irã, o ministro rebateu: “Não sei se seria a favor do Irã ou a favor de nós.”

  • Henghamen Fahimi/AFP - 30.mar.2005

    Foto de 2005 mostra a usina de Natanz, onde está sendo feito o enriquecimento de urânio

Sanções não vão impedir programa nuclear, diz Irã

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, disse nesta terça-feira (9) que novas sanções não impedirão que o país siga em frente com seu programa nuclear. Cientistas iranianos iniciaram hoje o processo de enriquecimento de urânio a 20% na usina nuclear de Natanz, na região central do país, informou a televisão estatal. O processo teve início no começo da manhã na presença de inspetores internacionais, segundo a emissora oficial em árabe "Alalam".

"Não vamos abandonar nosso programa nuclear pacífico", disse Mehmanparast durante uma entrevista coletiva concedida esta manhã em Teerã. O porta-voz disse ainda que "as resoluções (que incluírem sanções) contra o Irã não serão capazes de solucionar problemas, mas provocarão vários aos países que as aprovarem".

"Se pensam que com estas resoluções o povo iraniano dará um passo atrás (em seu programa nuclear), estão enganados", acrescentou.

Mehmanparast afirmou que políticas desse tipo aplicadas contra o Irã nos últimos 31 anos fracassaram, já que os países que as adotaram "não conhecem bem o povo iraniano".

O porta-voz também voltou a dizer que o programa nuclear de seu país é totalmente pacífico e respeita as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Repercussão internacional

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, defendeu a adoção nas próximas semanas, e não nos próximos meses, de uma resolução da ONU que permita novas sanções contra o Irã.

"Gates acredita que precisamos e podemos fazê-lo dentro deste prazo", disse o porta-voz do secretário a um grupo de jornalistas após a visita que ele fez a Paris, durante a qual se reuniu com o presidente francês Nicolas Sarkozy, que também é favorável a um reforço das sanções contra Teerã.

Nas reuniões em Paris, Gates insistiu na urgência das decisões, depois que o Irã anunciou o início da produção de urânio altamente enriquecido.

Em uma entrevista ao canal americano Fox na noite de segunda-feira, o secretário de Defesa afirmou que "levará semanas, não meses, para ver se obtemos outra resolução do Conselho de Segurança da ONU que permita sanções contra o Irã".

A China, que tem direito a veto no Conselho de Segurança, se mostrou reticente e favorável ao prosseguimento do diálogo.

A Rússia, por sua vez, vê dúvidas sobre as intenções do Irã. "O anúncio do Irã sobre o início do processo de enriquecimento de urânio a 20% cria dúvidas sobre a finalidade das ambições nucleares do país", afirmou o secretário do Conselho Russo de Segurança, Nikolai Patruchev.

"O Irã afirma que não se esforça para produzir arma atômica, e sim que busca a energia nuclear civil. Mas os passos que dá, sobretudo no enriquecimento de urânio a 20%, gera dúvidas nos demais países. E estas dúvidas têm fundamento", afirmou Patruchev.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pressionou por sanções imediatas e severas contra o Irã nesta terça-feira. "O Irã está acelerando para produzir armas nucleares... Acredito que o que é necessário no momento é uma ação severa por parte da comunidade internacional", disse Netanyahu a diplomatas europeus. "Isso significa sanções que debilitem o país e essas sanções devem ser aplicadas agora", acrescentou.

*Com informações da Agência Brasil e agências internacionais

 

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