Fórum global de jovens chega ao último dia com América Latina alijada dos debates

Carlos Iavelberg
Do UOL Notícas
Em São Paulo

Se os adultos não resolvem os problemas do mundo, que resolvam os jovens. É com essa mentalidade que cerca de 1.500 jovens aspirantes à líder global participam da conferência “Um Mundo Jovem” (One Young World, em inglês), que termina nesta quarta-feira (10), em Londres.

A conferência tem por objetivo reunir jovens de todos os cantos do planeta para que debatam sobre os principais problemas que afligem o mundo como o meio-ambiente, diálogo entre religiões, a globalização, o poder da mídia, saúde e pobreza. Durante os três dias de eventos, são realizadas sessões plenárias e palestras comandadas por líderes mundiais adultos. Entre os que passaram pelo evento, estão o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, o economista bengalês Muhammad Yunus, Prêmio Nobel de Economia, o prefeito de Londres, Boris Johnson,  o ex-presidente do Peru Alejandro Toledo e o músico irlandês Bob Geldof, entre outros.

  • 08.02.2010 - Felipe Trueba/EFE

    Jovens e palestrantes participam de inauguração da conferência “Um Mundo Jovem”, em Londres

Segundo relatos de jovens entrevistados pelo UOL Notícias, o fórum internacional não dá muito destaque aos problemas da América Latina.

Apelidada pela mídia internacional de “Jovem Davos” –uma referência ao Fórum Econômico Mundial, realizado nos Alpes suíços–, o encontro reúne pessoas com menos de 25 anos de 192 países diferentes, segundo a organização. Há, entretanto, “jovens” com mais de 25 anos.

“A transformação social, ao longo da história, é sempre promovida pelos jovens. Somos nós que não nos acomodamos com as circunstâncias consolidadas pelo desenrolar do processo humano e movimentamos o mundo em busca do progresso. As gerações antigas falharam em diversos pontos. E cabe a nós buscar novas soluções, novas ideias, enfim, oxigenar o mundo”, afirma o estudante de direito Rodrigo Augusto Leal da Silva, 20, de São Paulo, um dos 16 “delgados” brasileiros que, segundo a organização, participam da conferência.

Para outro participante brasileiro, o médico Guilherme Lopes Pinheiro Martins, 26 anos, de Campinas, ouvir personalidades internacionais mais “maduras” ajuda os jovens a pensar em um outro mundo. “Não estamos aqui para resolver os problemas do mundo, mas criar uma consciência mais humana e aprender com as experiências que muitos já tiveram”, afirma.

Sobre o rótulo de “líder mundial” dado pela própria organização, Martins acredita que o que fará dele um líder serão sua atitudes futuras. “Uma coisa que eles têm frisado aqui é que alguns serão grandes lideres, mas o fato de apenas participar do evento não te faz um líder do amanhã. Acho que me considero um aprendiz e estou aproveitando cada minuto das discussões. Agora, se vou ser um líder ou não, vai depender das minhas atitudes e das consequências que elas trarão para um futuro. Mas, com certeza, não vai ser apenas o evento que vai transformar seus participantes em grandes lideres”, analisa.

  • 08.02.2010 - Sang Tan/EFE

    O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, durante encontro em Londres

Já Leal da Silva prefere adotar uma outra definição de líder. “A questão da liderança é relativa. Muitos só consideram líderes aqueles que sobrevivem a grandes tragédias, como genocídios e terremotos. Líderes são aqueles que transformam positivamente a sua comunidade, as pessoas ao seu redor, portanto me considero, sim, um líder”, declara.

Os dois brasileiros entrevistados pelo UOL Notícias via e-mail foram convidados pela agência de marketing Euro RSCG, uma das organizadoras do evento e que possuí uma filial no Brasil. “Houve uma indicação por parte da Euro Brasil, sendo que após a indicação houve um processo seletivo no qual nosso perfil foi avaliado. Entrei com o processo em agosto 2009 e recebi o convite oficial apenas em dezembro de 2009”, conta Martins.

Pouco destaque à América Latina
Ao ser questionado sobre o que os jovens do mundo pensam do Brasil, Martins afirma que o evento tem pecado em dar pouco destaque à América Latina. “Até agora foi dado muito pouca ênfase para a América Latina como um todo. Conversando informalmente com alguns participantes, muitos têm uma boa imagem de nosso país, mas muitos estrangeiros sabem falar apenas em Ronaldo [jogador de futebol] e Carnaval, o que é uma pena. Apesar de que eu me surpreendi com muitos que também conseguem levar uma conversa de bom nível sobre o nosso pais”, conta.

Para Leal da Silva, alguns participantes têm comentado que esperam bastante do Brasil como um líder regional e integrante do Bric - acrônimo para Brasil, Rússia, Índia e China, as virtuais futuras potências emergentes mundiais.

 

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