Em evento para milhões de partidários, Ahmadinejad afirma que Irã pode enriquecer urânio a 80%

Do UOL Notícias

Em São Paulo*

Atualizado às 12h06

Em discurso para milhares de pessoas que lotam a praça Azadi, em Teerã, em virtude do aniversário de 31 anos da Revolução Islâmica, o  presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, garantiu que seu país tem capacidade para enriquecer urânio até 80%, mas por enquanto não está interessado em chegar a esse nível. Segundo o líder iraniano, seu país é "suficientemente valente" para "anunciar antecipadamente" se estivesse desenvolvendo uma bomba atômica.

Revolução iraniana tem festa e protesto

 

Mahmoud Ahmadinejad também anunciou que o país "triplicará rapidamente" a produção de urânio enriquecido no país a 3,5% nos próximos dias.

O discurso foi transmitido pelas emissoras de televisão iranianas, únicas autorizadas para a cobertura do evento em Teerã. O evento reuniu  milhares de simpatizantes do governo e há relatos não confirmados de manifestações oposicionistas na capital iraniana e em Tabriz.

Prisão de neta de Khomeini

As forças de segurança iranianas detiveram hoje Zahra Eshraqi, neta do fundador da República islâmica, grande aiatolá Ruhollah Khomeini, e seu marido, Mohammed Reza Khatami, irmão do ex-presidente reformista Mohamad Khatami, informaram sites administradas pela oposição.

A detenção, que não foi confirmada nem desmentida por fontes oficiais, teria ocorrido no centro de Teerã quando ambos seguiam para a manifestação convocada na capital pelo 31º aniversário do triunfo da Revolução.

As mesmas fontes da oposição informaram que o próprio ex-presidente Khatami e o líder opositor Mehdi Karrubi foram atacados por milicianos afins ao regime no centro de Teerã, mas não ficaram feridos.

Além disso, assinalaram que as forças de segurança detiveram também a Ali Karrubi, filho mais novo do ex-presidente do Parlamento e um dos líderes opositores que denunciou a fraude nas eleições presidenciais de 2009.

Aproveitando a data, os líderes oposicionistas Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi chamaram seus simpatizantes a participarem de manifestações contra o governo. Sites anti-governo pediram aos manifestantes que usem roupas ou emblemas verdes - a cor adotada pelo movimento oposicionista após a eleição de 12 de junho do ano passado.

Em antecipação às manifestações desta quinta-feira, o chefe da polícia iraniana, Esmail Ahmadi Moghaddam, disse que a Guarda Revolucionária e a milícia islâmica Basij estão prontas para enfrentar qualquer problema ou manifestações políticas violentas da oposição.

"Estamos totalmente preparados para realizar uma comemoração segura e gloriosa", disse ele à agência de notícias oficial Fars. "Acompanhamos de perto as atividades do movimento sedicioso, e várias pessoas que estavam se preparando para atrapalhar as comemorações de 11 de fevereiro foram presas", afirmou ele. 

Controle na internet
A conflito entre manifestantes pró e contra Ahmadinejad eram previstos desde o início da semana. Para coibir a ação de estudantes e oposicionistas, o governo iraniano indicou um possível controle sobre o uso da internet no país. O Google relatou uma queda abrupta no tráfego de e-mails no Irã, apesar de nenhum problema ter sido detectado em sua rede.

"Sempre que encontramos bloqueios nos nossos serviços, tentamos resolver o problema o mais rápido possível", disse a companhia em um comunicado. "Infelizmente, algumas vezes não podemos controlar isso."

Uma reportagem do diário americano Wall Street Journal afirmou que a agência de telecomunicações do Irã havia anunciado "uma suspensão permanente dos serviços de e-mail do Google", justamente na véspera do dia mais importante do calendário político iraniano.

Apesar do bloqueio dos emails e ferramentas do Google, sites e redes de relacionamento social como o Twitter foram usados em larga escala pela oposição iraniana após as eleições de junho para convocar manifestações e para denunciar supostos abusos das forças policiais iranianas.

Tentando se antecipar às manifestações, o governo avisou que agirá com firmeza contra qualquer manifestação oposicionista. Muitos temem que essas manifestações possam gerar os maiores confrontos entre partidários do governo e da oposição desde a contestada eleição presidencial de junho, quando Ahmadinejad foi reeleito em uma votação marcada pelas denúncias de fraude.

Nos últimos dias houve relatos de prisões de oposicionistas e de possíveis violações da privacidade na  internet do país.

O governo americano, que na quarta-feira ampliou suas sanções contra o Irã por conta das disputas em relação ao programa nuclear iraniano, disse que qualquer tentativa de restringir a livre circulação de informações no país vai falhar.

"Muralhas virtuais não funcionarão no século 21 de maneira melhor do que os muros físicos funcionaram no século 20", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano P. J. Crowley.

A ampliação das sanções americanas contra o Irã, que atingem a Guarda Revolucionária, foi anunciada após a determinação do Irã de ampliar o enriquecimento de urânio para seu programa nuclear.

O governo iraniano insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos para uso civil, mas os Estados Unidos e outros países ocidentais temem que o Irã esteja buscando o desenvolvimento de armas atômicas.

Segundo a agência de notícias AFP, a multidão de iranianos chegou ao local com bandeiras do país e cartazes com frases já conhecidas como "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos", segundo as imagens exibidas pela televisão estatal.

Um grande dispositivo policial foi mobilizado dentro e ao redor da praça, onde Ahmadinejad pronunciar discurso nesta quinta-feira.

*Com informações da BBC, AFP e EFE
 

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