Ex-colaborador da ditadura da Argentina defende regime militar em tribunal

Renata Giraldi
Da Agência Brasil

Em Brasília

Ex-colaborador da ditadura da Argentina, o general Antonio Bussi, de 84 anos, defendeu hoje (17) o regime militar no país – que impôs uma das ditaduras mais violentas da América do Sul de 1976 a 1983.

Em depoimento ao Tribunal Oral Criminal Federal, o militar afirmou que contribuiu para a construção da “verdade histórica” e negou os crimes ocorridos na região de Tucumán (no Norte da Argentina), onde atuou como interventor.

“Esgotarei até os meus últimos esforços para contribuir para a verdade histórica, hoje distorcida, e manipulada e agravada para satisfazer interesses mesquinhos”, disse o general da reserva, que está com problemas cardíacos e respiratórios, utilizando constantemente oxigênio. Ele foi governador de Tucumán, de 1995 a 1999.

Já condenado à prisão perpétua, indiciado por vários crimes de lesa-humanidade, Bussi foi julgado por sequestro, tortura e assassinato do senador peronista Guillermo Vargas Aignasse. No mesmo julgamento foi condenado o ex-chefe do Terceiro Corpo do Exército Luciano Benjamín Menéndez, de 83 anos.

O senador foi seqüestrado de sua casa, em Tucumán, na presença da mulher e dos filhos pequenos. A família do parlamentar morto foi ouvida no tribunal. O julgamento dos militares ocorreu em 2008.

Mas um novo julgamento relativo ao desaparecimento de 17 pessoas – que sumiram depois de levadas ao centro de detenção secreto da sede da polícia provincial – tem no banco dos réus Bussi, Menéndez e os ex-militares Albino Zimmerman e Alberto Mario Cattaneo, e ex-policiais Robert "One-eyed" Albornoz, e Luis Carlos Candido Candido.

Na Argentina, o governo militar é suspeito pelo desaparecimento de cerca de 18 mil pessoas – na sua maioria jovens. Há entidades não governamentais que afirmam que esse número pode chegar a 30 mil desaparecidos.

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