Interpol ordena captura de 11 suspeitos pelo assassinato de líder do Hamas

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

A Interpol, organização de cooperação policial internacional, emitiu nesta quinta-feira (18) ordens de captura contra 11 suspeitos de envolvimento no assassinato de um líder do Hamas em Dubai. Pelo assassinato, cometido em 19 de janeiro em um hotel de Dubai, mas descoberto nove dias depois, são acusados 11 membros de um grupo integrado por três irlandeses, seis britânicos, um francês e um alemão.

O chefe da polícia de Dubai, o general Dahi Jalfan Tamin, afirmou hoje que suas investigações revelam que o Mossad (serviço secreto israelense) é o responsável pelo assassinato do dirigente do Hamas Mahmoud al-Mabhuh. "É 99%, se não 100% seguro que o Mossad está por trás do assassinato", declarou o general Tamin ao jornal emirati em inglês "The National".

As evidências da polícia de Dubai mostram uma conexão entre os suspeitos e pessoas próximas a Israel, segundo o chefe policial.

O chefe policial, em outra entrevista publicada hoje pelo jornal emirati "Al Bayan", se mostrou ambíguo sobre a possível falsidade dos passaportes utilizados pelos 11 supostos assassinos. "As autoridades francesas, alemãs, irlandesas e britânicas ficaram incomodadas quando foram contatadas sobre os passaportes usados pelos suspeitos para entrar em Dubai".

"As autoridades emiratis, junto com as demais envolvidas têm a obrigação de perseguir os acusados para que paguem pelo crime que cometeram, seja assassinato ou o uso de passaportes duvidosos, que não se sabe ainda se são verdadeiros ou falsos".

O chefe policial lembrou que os agentes de Migração do aeroporto não detectaram irregularidades nos documentos dos suspeitos quando entraram no país, mas nos últimos dias pelo menos o Reino Unido e a Irlanda confirmaram que os passaportes eram falsos.

O general Tamin esclareceu que analistas europeus ajudaram os agentes de Migração emiratis a detectar passaportes europeus falsos, incluindo documentos dos quatro países mencionados.

Em um boletim policial divulgado hoje, o chefe policial antecipou que "nos próximos dias apresentarão novas surpresas que não deixarão qualquer dúvida" sobre a identidade dos supostos assassinos do dirigente do Hamas. Tamin, no entanto, evitou dar detalhes sobre as novas evidências.

Reino Unido quer investigação "a fundo"

O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, se declarou hoje disposto a investigar a fundo o caso dos falsos passaportes do Reino Unido utilizados pelos supostos assassinos de Hamas Mahmoud al-Mabhouh, dirigente do grupo palestino Hamas, morto em Dubai em 20 de janeiro passado.

Miliband não quis comentar o que foi discutido na reunião de 20 minutos que realizaram nesta quinta-feira, a pedido seu, o embaixador israelense, Ron Prosor, e o chefe do serviço diplomático britânico, Peter Ricketts.

O embaixador israelense disse que não podia "fornecer mais informações" após a reunião.

A polícia de Dubai acredita que um comando de "11 agentes munidos de passaportes europeus" matou em 20 de janeiro nesse emirado o dirigente palestino e que o Mossad (serviço secreto israelense no exterior) estão diretamente envolvidos.

Após a reunião de seu subordinado com o embaixador israelense, Miliband expressou hoje sua esperança de que o governo de Tel Aviv colabore plenamente com a investigação desse escândalo.

Miliband esclareceu que os passaportes falsos não continham microchips e disse que os novos documentos de viagem serão mais difíceis de falsificar.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou também hoje que "é um assunto que é preciso investigar". "É preciso saber o que ocorreu com os passaportes britânicos. É preciso realizar uma investigação antes de tirar conclusões", acrescentou Brown.

O responsável de Exteriores da oposição conservadora, William Hague, pediu à Chancelaria britânica que confirme quando soube do uso de passaportes falsos. Hague disse à "BBC" que era "bem possível" que o governo britânico tivesse sido informado em janeiro do suposto uso desses passaportes.

Irlanda convoca embaixador israelense

O governo irlandês, por sua vez, convocou o embaixador israelense em Dublin, Zion Evrony, para pedir explicações sobre o uso de três passaportes irlandeses falsos usados pelos suspeitos.

A Agência contra o Crime Organizado do Reino Unido confirmou que as fotografias e a assinaturas que constavam nos passaportes utilizados em Dubai não correspondem com as dos emitidos no Reino Unido.

Os seis britânicos cujos nomes aparecem nos falsos passaportes têm dupla nacionalidade britânica e israelense, e todos eles negam participação no assassinato do dirigente palestino.

Segundo o governo da Irlanda, os números dos passaportes irlandeses utilizados por três das pessoas supostamente envolvidas, entre elas uma mulher, são autênticos, mas não correspondem aos nomes que aparecem nele.

França pede explicações a Israel

A França pediu explicações a Israel sobre a utilização de um falso passaporte francês no assassinato de um líder do Hamas, anunciou nesta quinta-feira o ministério francês de Relações Exteriores.

"Pedimos explicações à embaixada de Israel na França sobre as circunstâncias da utilização de um falso passaporte francês no assassinato de um membro do Hamas em Dubai", disse o porta-voz do ministério, Bernard Valero.

"Estamos em contato com as autoridades de Dubai sobre os avanços da investigação, e cooperamos com elas", informou.

"Valero disse que os elementos que possuímos nos levam à conclusão de que o passaporte em questão é falso".

* Com as agências internacionais
 

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