Malvinas critica restrição imposta pela Argentina e defende exploração de petróleo no arquipélago

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

A Assembleia Legislativa das Ilhas Malvinas (Falklands) anunciou nesta quinta-feira (18) que o arquipélago tem “todos os direitos” de explorar as jazidas de petróleo em seu entorno, e qualificou as recentes restrições impostas pela Argentina como “decepcionantes”.

O conflito das Malvinas

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    As Ilhas Malvinas (Falklands) são um arquipélago localizado no Atlântico Sul cujo território, atualmente sob controle britânico, é reivindicado pela Argentina.

    As ilhas, sem moradores nativos, foram descobertas pela Espanha em 1520. Após conflitos diplomáticos com franceses e britânicos, os espanhóis mantiveram o controle do arquipélago, que passou a ser reivindicado como território da Argentina depois que Buenos Aires conseguiu independência da coroa espanhola.

    Contudo, os argentinos não conseguiram impedir que em 1833 os britânicos enviassem colonos para habitar as ilhas – e essa população, que desde então se dedica à pesca e à criação de ovelhas, deu origem à maior parte dos atuais 2.500 habitantes.

    O conflito sobre a nacionalidade das Malvinas atingiu seu ponto mais quente em 1982, quando a Argentina enviou militares para ocupar as ilhas. Em pouco mais de dois meses, o Reino Unido retomou o controle das Falklands, em um conflito no qual morreram 655 argentinos e 255 britânicos.

    A vitória consolidou o controle britânico, mas as Malvinas permanecem uma questão de honra nacional para a Argentina, que com frequência se dirige à ONU para criticar o “colonialismo” inglês no Atlântico Sul.

    Atualmente, a administração interna do arquipélago é exercida pela população local por meio da Assembleia Legislativa e do Conselho Executivo. Como não há partidos políticos, todos os parlamentares são eleitos como independentes e não existe oposição formal. O chefe do poder Executivo é Tim Thorogood.

    As questões externas e a defesa das Malvinas são controladas pelo Reino Unido por meio de um governador. Este cargo é ocupado hoje por Alan Huckle, que oficialmente representa a rainha Elizabeth 2ª.

A nota, divulgada no site do governo, é uma resposta ao decreto emitido por Buenos Aires há dois dias, que torna necessária uma autorização especial para qualquer embarcação que navegar nas rotas entre a Argentina e às Malvinas. Na última semana, um navio que carregava material para prospecção de petróleo já havia sido barrado na região.

O intuito de Buenos Aires é encarecer a exploração de petróleo no arquipélago, atualmente um território ultramarino do Reino Unido, mas historicamente reivindicado pelos argentinos (veja box ao lado).

“Esse é um movimento da Argentina para interromper as perfurações de petróleo agendadas para começar na próxima semana”, afirma a nota do governo. “Atualmente, todos os suprimentos que a indústria [petroleira] precisa estão localizados aqui nas ilhas e as perfurações começarão como planejado, assim que as condições climáticas permitam."

“O governo das ilhas Falklands tem todos os direitos para desenvolver uma indústria de hidrocarbonetos no limite de nossas águas. O governo britânico claramente defende nosso direito de desenvolver um negócio legítimo [...] e também reiterou nossa soberania.”

“Não é surpresa para ninguém que a Argentina esteja se comportando dessa forma, mas ainda assim é decepcionante”, concluiu o comunicado.

A disputa pelas Malvinas voltou a ficar tensa desde que o governo britânico anunciou ter autorizado, no começo de fevereiro, a exploração de petróleo na região. A medida desagradou a Argentina e trouxe a memória da guerra travada pelo controle do arquipélago em 1982. Cerca de mil pessoas morreram no conflito, vencido pelo Reino Unido, que até hoje mantém militares na região.

O preço do petróleo

A questão no petróleo também não é nova. Em 1998, seis poços foram furados no norte das Malvinas, mas a companhia interrompeu os investimentos porque o preço do petróleo (então a US$ 10,35 o barril) não tornava a prospecção viável. Hoje, com o barril a US$ 75, o conjunto de petroleiras com concessões na área, lideradas pela Desire Petroleum, revisaram as contas.

Um documento com data de 11 de janeiro no site da Desire cita nove cenários diferentes, com o petróleo a US$ 50, US$ 75 e US$ 100, e com três diferentes níveis de produção. De acordo com a projeção, oito dos nove cenários são viáveis.

O mesmo documento afirma que “perfurações anteriores provaram que todos os ingredientes para prospecção comercial estão presentes” e destaca a “excelente política fiscal” do território ultramarino.

*Com informações da BBC

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