Ex-guerrilheiro José Mujica é empossado 52º presidente do Uruguai

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O ex-guerrilheiro José Mujica, do bloco esquerdista Frente Ampla, tomou posse hoje (1) como o 52º presidente do Uruguai, em um ato no Palácio Legislativo de Montevidéu.

Mujica toma posse e promete estabilidade econômica

O ex-guerrilheiro José Mujica assumiu nesta segunda-feira a presidência do Uruguai com a promessa de manter uma macroeconomia "ortodoxa e prolífica" e amplas políticas sociais, naquele que será o segundo governo consecutivo da esquerda no país

José Mujica, dirigente histórico da guerrilha urbana Movimento de Libertação Nacional Tupamaros (MLN-T), foi eleito pela coalizão governista de esquerda Frente Ampla.

Com 74 anos, senador e ex-ministro da Fazenda, Mujica teve uma vida difícil, mas até agora se dedicava, além da política, a plantar hortaliças em uma fazenda do noroeste de Montevidéu.

Foi um dos fundadores da guerrilha tupamara surgida no início dos anos 60 como grupo clandestino que tentava desmontar pela via armada o Estado "burguês" e o sistema capitalista. Porém, hoje mostra-se mais moderado.

Mujica, que levou nove tiros, foi preso em 1970 e participou da fuga em massa da Prisão de Punta Carretas em setembro de 1971.

Foi recapturado e, em 1972, quando as forças conjuntas (policiais e militares) derrotaram o aparato militar tupamaro, passou a ser um dos denominados "reféns da ditadura (1973-1985), que estiveram presos em diferentes quartéis do país em condições desumanas".

Em 1985, com a restauração da democracia, foi anistiado pelo governo de Julio Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000).

Casado com a senadora e também tupamara Lucía Topolansky e sem filhos, Mujica foi o primeiro dirigente histórico do MLN-T a entrar para a Câmara dos Deputados em 1995, após um rearranjo político dos ex-guerrilheiros que se envolveram no sistema político e, em 1989, se incorporou à Frente Ampla.

Após as eleições 1999, passou a ocupar uma cadeira no Senado e, em 2005, quando a FA assumiu o primeiro governo de esquerda da história do país, o grupo de Mujica foi o mais votado dentro da coalizão.

Desde então, foi ministro da Fazenda, Agricultura e Pesca (cargo que ocupou até março de 2008) e voltou para o Senado, onde lançou sua candidatura à Presidência.

Considerado um político mais radical que o presidente Tabaré Vázques, Mujica moderou seu discurso durante a campanha e disse sentir-se mais próximo a governos como o do Brasil e do Chile do que do modelo socialista da Venezuela. Ele se comprometeu a manter políticas econômicas que permitiram ao Uruguai escapar da crise econômica mundial.

Antes de assumir, Mujica encontrou-se com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e tinha uma reunião prevista com a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton.

Presidentes de sete países sul-americanos, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e representantes de outros 30 países acompanham na capital uruguaia para a posse.

* Com informações das agências internacionais

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