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Hillary Clinton discute Irã, Honduras e meio ambiente em encontro com parlamentares no Congresso

Camila Campanerut<br> Do UOL Notícias*<br> Em Brasília

03/03/2010 10h13

Atualizada às 13h56

A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton deixou o Congresso Nacional por volta de 9h50, depois de se reunir a portas fechadas com o presidente do Senado, José Sarney (PMBD-AP), o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e parlamentares na sala da presidência do Senado.

Segundo relato de parlamentares que participaram do encontro, ela afirmou que o Brasil pode desempenhar um papel "estratégico" no sentido de "mudar" os objetivos nucleares do governo iraniano.

“A ênfase da pauta foi o Irã e abertura do diálogo com o Brasil sobre a questão. Falou um pouco sobre a reforma na saúde, que vem ocorrendo nos EUA, porém não tocou no assunto da compra dos 36 caças”, contou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

"Ela disse que o Irã não somente está desenvolvendo armas nucleares visando a Israel como também procurando manter uma hegemonia em todo o Oriente Médio", disse Sarney. “Ela pediu para que o Brasil colaborasse na política de não proliferação de armas [nucleares]. Eu tive a oportunidade de dizer que o Brasil é signatário de um tratado nesse sentido”, acrescentou Sarney. 

Para Temer, a secretária de Estado saiu da reunião convicta de que o Brasil terá capacidade de ajudar os EUA a dialogar com o Irã.

De acordo com o deputado federal Maurício Rands (PT-PE), Hillary comentou as relações "amistosas" que o Brasil mantém com o Irã e disse que isso "facilitaria" o diálogo. “[Hillary] espera que o Brasil contribua na questão do Irã pela relação que o Brasil desenvolveu com esse país e que pode ajudar a mudar o curso de ação que eles estão seguindo”, disse. 

Segundo ele, foram abordadas ainda questões envolvendo direitos humanos e igualdade das mulheres e a problemática da saúde dos norte-americanos, pelo fato de 40 milhões de pessoas daquele país não estarem incluídas em planos de saúde. A secretária de Estado também reforçou a proposta do governo de Barack Obama em relação às iniciativas ambientais e o comprometimento na redução de gás carbônico.

O deputado contou também que Hillary também enfatizou a questão envolvendo o governo de Honduras. "Ela espera que o Brasil ajude no reconhecimento do governo de Honduras para que o país não sofra como está sofrendo”, disse.

Para o deputado, a conversa representou o reconhecimento da parceria entre Brasil e EUA e o novo posicionamento do país entre os principais atores internacionais.
 

Temas que provocaram desentendimentos recentes entre Brasil e EUA

Agenda
Após o encontro, Hillary acenou e não falou com a imprensa. Na sequência, ela segue para a embaixada dos Estados Unidos, onde tem um encontro interno.

Às 11h30, ela deve se reunir com o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, em um evento composto de assinaturas de atos bilaterais e um almoço. Na pauta estão questões de gênero, mudanças climáticas, acordo entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a United States Agency for International Development (Usaid) e o Diálogo de Parceria Global entre o Brasil e os Estados Unidos, que prevê reuniões anuais dos dois ministros. Às 14h, Hillary participa de uma coletiva de imprensa no Itamaraty.

Um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está previsto para as 15h no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência da República.

Após a visita, Hillary embarca para São Paulo, onde está prevista a sua participação no evento “Town Hall Meeting”, com os alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares.

Do Brasil, ela segue para a Costa Rica, onde se reunirá com o presidente Oscar Arias e com a presidente eleita Laura Chinchilla.

* Com informações da BBC Brasil.