Taxa de participação nas eleições legislativas do Iraque alcança 62,4%; país inicia apuração

Do UOL Notícias*
Em Sâo Paulo

A taxa de participação nas eleições legislativas de domingo no Iraque chegou a 62,4%, anunciou nesta segunda-feira (8) a Comissão Eleitoral do país. As autoridades eleitorais iraquianas começaram a apurar hoje os votos, depois de uma eleição marcada por atentados que mataram 38 pessoas só no domingo.

  • Nome oficial: República do Iraque

    Tipo de governo: Democracia parlamentar

    Capital: Bagdá

    Divisão administrativa: 18 províncias e 1 região

    População: 28.945,569

    Grupos etnicos: Árabes 75%-80%, Curdos 15%-20%, Turcomanos, Assírios e outros 5%

    Religiões: Muçulmanos 97% (xiitas 60%-65%, sunitas 32%-37%) e Cristãos e outras 5%

    Idiomas: Árabe, Curdo (oficial nas regiões curdas), Turcomano (dialeto), Neo-aramaico e Armenio

Para Hamid Fadel, professor de ciências políticas da Universidade de Bagdad, a alta taxa de participação indica uma "derrota da Al Qaeda, apesar das ameaças e da violência" perpetradas pelo grupo terrorista.

Estimativa divulgada pela agência de notícias AP aponta vantagem da coalizão liderada pelo atual primeiro-ministro Nouri al-Maliki. No entanto, os resultados preliminares oficiais devem ser divulgados apenas amanhã ou na quarta-feira.

Maliki enfrenta a forte oposição de seus ex-aliados da Aliança Nacional Iraquiana, também formada por xiitas. O poderoso Conselho Islâmico Supremo Iraquiano, que é parte dessa coalizão, disse que os primeiros resultados indicam forte divisão entre a Aliança Nacional e o grupo de Maliki.

A lista laica e plurissectária do ex-premiê Iyad Allawi, que tinha apoio de muitos membros da minoria sunita, aparece em terceiro lugar, segundo o site do Conselho Islâmico Supremo.

No Curdistão iraquiano, o novo partido Goran está desafiando a União Patriótica do Curdistão, do presidente Jalal Talabani, um dos dois grupos que há décadas dominam a política curda.

O resultado pode diminuir a influência da União Patriótica e do Partido Democrático do Curdistão em eventuais discussões sobre uma coalizão em Bagdá. No passado, a relativa coesão dos curdos lhes permitia ser o fiel da balança na política iraquiana.

Reconhecimento de vitória dos EUA no Iraque pode demorar

O comandante das tropas americanas no Iraque, general Ray Odierno, considerou nesta segunda-feira que será necessário esperar "até dez anos" para dizer se a campanha militar dos Estados Unidos no país foi bem-sucedida. "Não acho que vamos saber se fomos vitoriosos no Iraque antes de três, cinco ou até 10 anos", disse o general Odierno em uma entrevista concedida à rede de televisão americana MSNBC, um dia depois das eleições legislativas, organizadas pela segunda vez no país desde a derrubada de Saddam Hussein em 2003.

Na província sunita de Anbar, a taxa de participação teria chegado a 61% e a 70% em Kirkuk, província petroleira do norte iraquiano, cenário de disputas entre árabes e curdos.

A presença sunita no pleito servirá de indicativo sobre a inclusão política desse grupo, que se sente alienado depois de perder, desde 2003, os privilégios que detinha no regime de Saddam Hussein.

Muitos sunitas se sentiram discriminados por uma comissão, liderada por xiitas, que vetou cerca de 500 candidatos por suposta ligação com o proscrito partido Baath, de Saddam.

Na última eleição parlamentar geral, em 2005, xiitas e curdos conquistaram ampla maioria.

Alguns políticos, especialmente Allawi, criticaram o andamento do pleito, mas observadores estrangeiros disseram reservadamente que, ao menos em nível técnico, aparentemente tudo correu bem.

 

* Com informações das agências internacionais

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