De olho em sucessor de Uribe, colombianos vão às urnas eleger novo Congresso

Carlos Iavelberg
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Além de eleger um novo Congresso hoje (14), os colombianos também vão às urnas para dar uma “pista” de como será a eleição presidencial marcada para o fim de maio.

Na prática, o pontapé inicial para a curta campanha presidencial foi dado apenas no dia 26 de fevereiro deste ano, quando a Corte Constitucional colombiana fechou as portas para que o atual mandatário Álvaro Uribe tentasse um terceiro mandato.

Raio-X da Colômbia

  • Nome oficial: República da Colômbia

    Tipo de governo: República presidencialista

    Capital: Bogotá

    População: 43.677.372

    População urbana: 74%

    Idioma: Espanhol

    Eleitores: 29,8 milhões

    Candidatos: 2.539

    Cadeiras: 268 (102 no Senado e 166 na Câmara)

    Fonte: CIA World Factbook 2009 e AFP

Isso porque, a alta popularidade de Uribe –em torno dos 70% de aprovação entre os colombianos– fazia dele um candidato considerado praticamente imbatível e com muitas chances de levar o pleito logo no primeiro turno.

Sem sua presença, os uribistas postulantes ao cargo deram início à campanha e, principalmente, à disputa pela benção formal de Uribe, que ainda não declarou qual candidato apoiará.

O poder de influência das eleições parlamentares nas presidenciais, entretanto, ainda não está claro. Para alguns analistas, o resultado de domingo pode impulsionar algumas candidaturas, enquanto que para outros, o cenário ainda seguirá muito imprevisível.

Neste domingo, cerca de 30 milhões de colombianos irão às urnas para escolher, entre 2.539 candidatos, os que vão ocupar 102 cadeiras do Senado e 166 da Câmara.

“Sem a possibilidade de reeleição [de Uribe], o mapa das candidaturas presidenciais e quem vai entrar na disputa estão diretamente relacionados com quem sairá fortalecido das eleições parlamentarias", afirma o cientista político colombiano Gerson Arias, da Fundação Ideas para La Paz.

Já para o professor colombiano Carlos Velásquez, chefe da área Sócio-Humanística da Universidade de La Sabana, o resultado das eleições parlamentares deve dar uma pista do que ocorrerá nas presidenciais, mas não é confiável.

Para Velásquez, o Poder Executivo na Colômbia é muito forte, o que permite um presidente governar sem que seu partido possua a maior bancada no Congresso. Algo muito parecido com o que ocorre atualmente no Brasil, onde o PMDB possui mais congressistas que o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Se chega a ser eleito um presidente na Colômbia, como já aconteceu em outras épocas, cujo o partido não consiga formar a bancada majoritária, ele não tem problema para governar. Se arma uma coalizão com os demais partidos e pronto. O executivo aqui tem muito poder. No Brasil também, mas não tanto como na Colômbia”, compara.

Candidatos
A primeira pesquisa de intenção de voto feita depois do anúncio de que Uribe não concorria coloca o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos em primeiro lugar, com 23% das intenções de voto (veja tabela ao lado). Entretanto, ninguém se atreve a dizer que ele seja o favorito.

Sua carreira política tomou impulso em 2008, quando Santos, então ministro, desceu de um avião militar de mãos dadas com Ingrid Betancourt, que acabava de ser libertada depois de anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Santos será o candidato do Partido Social de Unidade Nacional – ou Partido de “la U”, como é chamado na Colômbia. Parte de sua campanha é justamente pregar a continuidade do governo Uribe.

Mas ainda não está claro se Uribe dará apoio explícito a Santos. O partido Conservador, que decidirá seu candidato neste domingo, também reivindica o direito de representar Uribe nas eleições de maio, assim como Germán Vargas Lleras, da conservadora Mudança Radical.

A incerteza é tamanha que o segundo colocado na pesquisa é o ex-guerrilheiro e oposicionista Gustavo Petro, a figura mais importante da esquerda no país que disputará o pleito pelo Polo Democratico.

A capacidade de Uribe em transferir votos para o seu candidato, também é incerta. Para o cientista político Gerson Arias isso dependerá das correntes políticas que disputarão o segundo turno.

Arias acredita que essa transferência pode não ocorrer no caso de dois uribistas disputarem o segundo turno, já que o eleitorado de Uribe pode rachar.

“De qualquer maneira, ganhe quem ganhe, é provável que o país siga o mesmo rumo. Inclusive num tema tão sensível como as sete bases militares dos EUA no território colombiano, nenhum dos aspirantes com exceção de Petro mostrou seu rechaço. Da mesma maneira, todos tratarão de se aproximar de [do presidente venezuelano Hugo] Chávez. Não por simpatia espontânea, mas por pragmatismo elementar. Na Colômbia, depois das Farc, quem gera mais repúdio é o presidente da Venezuela, mas, enquanto com a guerrilha se pode lutar, com Caracas, não, porque os dois países compartilham a fronteira e precisam um do outro”, escreveu o jornalista colombiano Armando Neira no jornal “Folha de S.Paulo”.

Eleições parlamentares
A incerteza em torno da eleição presidencial também é vista no pleito desde domingo. Como não foram divulgadas pesquisas de intenção de voto, é difícil prever que partido obterá a maior bancada.

A expectativa, porém, é a de que os partidários de Uribe mantenham a maioria no Congresso, enquanto a oposição enfrenta o desafio de conservar as próprias cadeiras.

O pleito também é marcado pelo temor entre ativistas de direitos humanos de que políticos ligados a paramilitares de ultradireita sejam eleitos. "Entre os atuais aspirantes à nova composição do Congresso verificamos que pelo menos cerca de 80 deles mantêm relações com grupos paramilitares", assegurou o investigador Ariel Ávila, membro da organização Movimento de Observação Eleitoral (MOE).

A desconfiança é justificada quando levado em conta que, desde 2007, a Justiça colombiana abriu processos contra 107 dos 268 parlamentares para apurar se haviam recebido dinheiro para representar no Parlamento os interesses de paramilitares.

Dos indiciados, ao menos 12 já foram condenados à prisão –a maioria fazia parte da base governista, mas também há oposicionistas entre os detidos que esperam julgamento.

“Há pesquisas que mostram que o Congresso é uma das instituições que tem menos credibilidade e menos legitimidade entre a população. Isso se deve, principalmente, pela penetração do paramilitarismo no Congresso” , afirma o professor colombiano Velásquez.

  • Funcionária limpa seção eleitoral na capital Bogotá; colombianos elegem 268 parlamentares

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