Damas de Branco lembram sete anos de prisão de dissidentes e são vaiadas por defensores do governo

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

As Damas de Branco --grupo formado por mães e esposas de dissidentes cubanos-- voltaram às ruas de Havana nesta quinta-feira (18), no sétimo aniversário da prisão de seus 75 familiares. Em meio a vaias de cerca de 350 defensores do governo, pelo menos 30 mulheres caminharam vestidas com roupas brancas  segurando nas mãos ramos de rosas.

Durante a manifestação de ontem, as Damas de Branco entraram em confronto com um grande número de apoiadores de Fidel Castro e foram detidas pela polícia cubana. Em meio à confusão, elas foram obrigadas a subir em dois ônibus. Algumas delas, inclusive a líder do grupo, Laura Pollán, ficaram levemente feridas.

"O dia de hoje marca a prisão de nossos familiares (a data é conhecida como a Primavera Negra). Não vamos deixar de protestar aconteça o que acontecer, que eles façam o que quiserem", disse a líder Laura Pollán, que caminhou com o braço direito numa tipoia e o dedo imobilizado, resultado do confronto de ontem.

Muitas pessoas em prol do atual governo acompanharam a caminhada com bandeiras de Cuba nas mãos. "Repudiamos [o grupo] porque elas são contra a revolução que vamos defender até o final. As ruas de Cuba pertencem aos revolucionários, não vamos permitir. Deixamos que façam suas marchas, mas temos o direito de não gostar", disse Yamilé González, empregada de uma creche.

Entre as Damas de Branco também estava Reyna Luisa Tamayo, mãe do preso Orlando Zapata, que morreu, aos 42 anos, no dia 23 de fevereiro, depois de dois meses e meio de greve de fome para exigir melhores condições carcerárias. A morte de Zapata motivou uma onda de consternação internacional, com o governo da ilha sendo condenado pelo Parlamento Europeu, diversos governos e instituições de direitos humanos.

O Governo cubano considera as Damas de Branco a "ponta de lança" da política "subversiva" dos Estados Unidos contra a ilha e as acusa de receber dinheiro de Washington.

União Europeia critica ação cubana
O presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, condenou a "brutalidade policial" contra as Damas de Branco e exigiu de Havana a "libertação imediata de todos" os dissidentes.

"Exijo que o governo cubano pare de fustigar as pessoas que se manifestam pela liberdade", disse Buzek em uma nota sobre a atuação da polícia cubana.

Em 2005, o grupo Damas de Branco foi agraciado com o prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, entregue anualmente pelo Parlamento Europeu a defensores da liberdade e da democracia. "Há quase cinco anos estamos esperando para entregar o prêmio às Damas de Branco, que continuam sem autorização para deixar o país", lamentou Buzek nesta quinta-feira (18).

O presidente do Parlamento Europeu também afirmou que, desde a morte de Orlando Zapata e em virtude do "alarmante estado" do jornalista Guillermo Fariñas, a instituição está "seriamente preocupada com a situação dos presos políticos em Cuba".

"Não podemos permitir outra morte em Cuba", destacou Buzek, que, em nome do Parlamento Europeu, voltou a pedir a "libertação imediata de todos os presos políticos".

"O governo cubano deve respeitar as liberdades fundamentais, especialmente a liberdade de expressão e de associação política. É uma condição 'sine qua non' para que as relações com o país melhorem", assegurou.

*Com informações de agências internacionais

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