Operação para libertar reféns das Farc pode começar a qualquer momento

Carlos Iavelberg*
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • 20.08.2003-João Wainer/Folha Imagem

    Acampamento das Farc em 2003; guerrilha diz que está será a última libertação unilateral

    Acampamento das Farc em 2003; guerrilha diz que está será a última libertação unilateral

Está tudo pronto para o início da operação de libertação de dois reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A senadora colombiana Piedad Córdoba espera apenas um “sinal verde” da guerrilha para dar início ao processo.

Assim que receber esse sinal, Córdoba, que há anos vem exercendo o papel de mediadora entre as Farc e o governo colombiano, pegará um voo comercial até Manaus, no Brasil. De lá, ela seguirá direto para São Gabriel da Cachoeira (Amazonas), na fronteira com a Colômbia, onde dois helicópteros militares brasileiros estão prontos para iniciar a operação de resgate.

Desde a semana passada, Córdoba possui um envelope lacrado com a localização exata de onde será feita a entrega dos reféns. Segundo a senadora, a única pessoa que será informada sobre o local será o piloto brasileiro quando este já estiver voando.

Os reféns a serem liberados são o suboficial Pablo Emilio Moncayo e o soldado Josué Daniel Calvo. As Farc também afirmaram que pretendem entregar os restos mortais do oficial de polícia Julián Ernesto Guevara, que morreu em cativeiro.

Moncayo, com mais de 12 anos de cativeiro, é o refém há mais tempo em poder da guerrilha. Já Calvo, foi sequestrado há quase um ano e tem sido transportado em uma maca devido a seu debilitado estado de saúde.

Além de Córdoba e do Brasil, as Farc admitiram também a participação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da Igreja Católica no processo.

Por tratar-se te um assunto delicado, as partes envolvidas preferem não comentar o caso. O UOL Notícias procurou o Ministério da Defesa brasileiro e a Embaixada do Brasil na Colômbia, que informaram que não se pronunciarão até que a libertação seja concluída.

Filhos de reféns das Farc convivem com a dor e a esperança

Nesta quinta-feira (18), o ministro de Defesa, Nelson Jobim, se limitou apenas a confirmar a participação brasileira na operação. "O Brasil vai colaborar, já está colaborando com a Cruz Vermelha Internacional sediada na Colômbia, que está organizando todo o processo. Sobre esse assunto, a gente só fala depois que terminado o trabalho", afirmou.

Esta não é a primeira vez que o Brasil participa na libertação de reféns das Farc. Em fevereiro de 2009, o Exército brasileiro também colaborou com apoio logístico em uma operação semelhante. Na época, foram soltos seis sequestrados.

O CICV confirmou que os dois helicópteros brasileiros já estão perto da fronteira entre os dois países a espera que a senadora Córdoba dê início a operação. Além dela, a comitiva também contará com dois delegados do CICV e um representante da Igreja Católica.

Segundo a assessoria de imprensa de Córdoba, ela espera o “sinal verde” desde a última segunda-feira (15), um dia após a realização das eleições parlamentares colombianas. Não há previsão para o início da operação, mas espera-se que possa começar a qualquer momento e ser finalizada no fim de semana.

Os dois reféns serão libertados em locais distintos. O primeiro a ser solto deve ser Calvo devido seu delicado estado de saúde. Com ele, devem ser entregues os restos mortais de Guevara. Já a libertação de Moncayo deve ficar para o dia seguinte.

O alto comissário colombiano para a paz, Frank Pearl, informou que a operação deve demorar cerca de 48 horas. "Uma vez que eles [os pilotos brasileiros] tenham a informação [a localização], os helicópteros levarão entre 24 e 36 horas para chegarem a um dos aeroportos [na Colômbia], e a partir daí começará a operação", disse Pearl. "Isso quer dizer que, uma vez recebida a informação, em dois dias se realiza a operação”, concluiu.

As Farc informaram que esta será a última libertação unilateral de reféns. A intenção da guerrilha a partir de agora é trocar seus reféns por guerrilheiros presos.

Todos os 23 reféns que as Farc dizem ter em seu poder -o governo afirma que são 24- são militares ou policiais. A guerrilha já não possui mais nenhum político sequestrado.

*Com informação de  agências internacionais e Folha Online

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