Com apoio dos EUA, secretário geral da OEA deve ser reeleito ao cargo nesta quarta

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • 05.07.2009 - Jose Luis Magana/AP

    O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, fala durante 37ª sessão especial da Assembleia Geral, em Washington (EUA)

    O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, fala durante 37ª sessão especial da Assembleia Geral, em Washington (EUA)

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, o chileno José Miguel Insulza, deve ser reeleito nesta quarta-feira (24), com apoio declarado dos Estados Unidos e da maioria dos países do organismo, em uma votação para a qual é candidato único.

Salvo surpresas de última hora, Insulza, 66, tem garantidos os votos para permanecer no cargo, assim como o secretário-adjunto, o surinamês Albert Ramdin, 52. As duas votações acontecem de maneira separada.

Para ser eleito, um candidato precisa de pelo menos 18 votos, maioria simples entre os 35 membros da OEA – um número que inclui Honduras (suspensa do organismo), e Cuba (que ainda não oficializou seu retornou), ainda que estes dois países não tenham direito a voto.

Com o consenso em torno do nome de Insulza, a votação deverá ser apenas um trâmite burocrático, sem a presença da maioria dos chanceleres dos países-membros.

O chileno conta com apoio da Comunidade do Caribe, além dos votos declarados de Brasil, Chile, Costa Rica, Uruguai, Colômbia, Guatemala, El Salvador, República Dominicana, Argentina, Paraguai, Panamá e México.

Na segunda-feira, a chanceler dos EUA, Hillary Clinton, também manifestou em carta o apoio do governo de Barack Obama a Insulza e Ramdin.

Críticas durante crise em Honduras

Apesar do amplo apoio para reeleição, Insulza teve um mandato marcado por críticas a respeito da suposta fraqueza de sua liderança e da inação da OEA em momentos decisivos, como a crise política desencadeada em Honduras após o golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho de 2009.

Três dias depois do golpe, Insulza deu um ultimato ao governo de Roberto Micheletti para que o presidente deposto fosse reconduzido ao poder em até 72 horas. O pedido que foi ignorado pelo governo no poder, Honduras foi suspensa da OEA, e o isolamento emperrou as negociações.

Insulza foi obrigado a retomar contato com o governo golpista mais tarde e montou uma comissão de chanceleres para dialogar com Micheletti Após diversos adiamentos, a missão de chanceleres conseguiu visitar Tegucigalpa, mas não obteve avanços. Em transmissão ao vivo pela televisão local, Micheletti acusou a organização de “interferência em assuntos internos”, diante do próprio Insulza.

Após meses de esforço diplomático, a solução pelo diálogo multilateral defendida pela OEA fracassou. Zelaya não voltou ao poder por um dia sequer, para desagrado de Insulza, e mesmo assim a organização americana anunciou que reconhecia o governo do presidente eleito, Porfírio Lobo.

Essa iniciativa provocou um racha com o Brasil, que até hoje não reconhece o atual governo hondurenho. O embaixador brasileiro na organização, Ruy Casaes, chegou a dizer durante as discussões, em novembro passado, que a OEA estaria “caminhando para um absoluto estado de irrelevância”.

Outra evidência do enfraquecimento do organismo foi a criação, em fevereiro deste ano, da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Calc) – uma versão da OEA sem Estados Unidos e Canadá, que agora funciona de modo paralelo à organização original.

Readmissão de Cuba

Também durante o mandato de Insulza, a Organização dos Estados Americanos readmitiu Cuba, revogando a expulsão da ilha comunista realizada em 1962 por pressão dos Estados Unidos, no cenário da Guerra Fria.

A decisão, tomada na 39ª Assembleia Geral da organização, no ano passado, foi considerada “histórica” pelos chanceleres presentes.

O governo cubano agradeceu a manifestação de apoio dos governos latino-americanos, mas até hoje não quis voltar à condição de membro pleno da OEA, alegando que não deseja participar de um grupo dominado por Washington.

*Com informações da EFE

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