Morte de Osama bin Laden

Em nova gravação, Bin Laden ameaça matar norte-americanos

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Osama bin Laden, em nova fita de vídeo, ameaçou executar qualquer norte-americano que for feito prisioneiro pela Al Qaeda, caso o suposto mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001, Khalid Sheikh Mohammed, seja executado, informou o canal de TV "Al Jazeera" nesta quinta-feira (25).

Filho de Bin Laden pede libertação de parentes presos no Irã

Um dos filhos de Osama bin Laden pediu ao líder supremo da Revolução iraniana, o aiatolá Ali Khamenei, a libertação de vários membros de sua família presos no Irã, em carta divulgada hoje em fóruns islamitas na internet.

A divulgação dá fita ocorre no dia seguite à prisão de 113 militantes da Al Qaeda pelo governo da Arábia Saudita, incluindo a detenção de homens-bomba que planejavam ataques contra instalações de energia no principal exportador de petróleo do mundo

O Ministério do Interior saudita informou que essa operação, uma das maiores dos últimos anos, deteve 58 supostos militantes sauditas e 52 de origem iemenita. O Iêmen está entre as principais preocupações de segurança do Ocidente após um ataque frustrado, em dezembro, contra um avião que ia aos EUA. Os militantes tinham apoio da Al Qaeda no Iêmen.

Julgamento de Khalid Mohammed

Investigadores de direitos humanos da ONU pediram no início do mês que o governo Obama submeta à Justiça civil dos EUA os acusados de tramarem os atentados de 11 de setembro de 2001, já que as cortes militares norte-americanas não seriam isentas para tal.

A Casa Branca está analisando o assunto, e autoridades do governo já declararam  que a recomendação pode ser no sentido de levar Khalid Sheikh Mohammed e quatro outros suspeitos à Justiça militar.

"Assumo a opinião de que a Lei das Comissões (tribunais) Militares é fundamentalmente distorcida. Está muito longe dos padrões internacionais de julgamento justo, e provavelmente não pode ser consertada", disse no último dia 9 Martin Scheinin, relator especial da ONU para a proteção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais em meio ao combate ao terrorismo.

Scheinin e outros relatores da ONU são investigadores independentes que se reportam ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, cujos 47 membros incluem os EUA.

O professor finlandês de Direito, que já visitou a prisão militar dos EUA na base naval de Guantánamo, encravada em Cuba, afirmou também que o governo Obama cometerá um erro se tentar reformar a Lei das Comissões Militares, criada no governo de George W. Bush.

"Para mim, a única opção segura é ir às cortes criminais federais regulares, que também têm um histórico muito melhor em tratar os casos de terrorismo do que as muito infelizes comissões militares", disse Scheinin em entrevista coletiva em Genebra.

De acordo com ele, os julgamentos militares dão lugar a provas obtidas sob tratamento cruel ou degradante, sob tortura ou "por ouvir dizer", o que seria uma violação dos compromissos dos EUA perante o direito internacional.

O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, planejava originalmente levar os cinco réus a julgamento num tribunal civil de Nova York, mas o prefeito oposicionista da cidade, Michael Bloomberg, e parlamentares federais se opuseram.

Manfred Nowak, relator especial da ONU para a tortura, disse que os suspeitos deveriam ser julgados por crimes hediondos em tribunais civis.

"Estamos lidando com crimes seríssimos, que devem ser tratados pelas cortes criminais ordinárias segundo a legislação criminal ordinária que seja aplicável nesse tipo de crime, os quais considero serem crimes contra a humanidade."

* Com agências internacionais

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