Fidel critica Obama, mas elogia reforma da saúde; para especialistas, líder cubano quer manter autonomia

Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em declarações recentes, o ex-presidente cubano Fidel Castro aplaudiu a vitória da reforma da saúde elaborada e aprovada pelo governo de Barack Obama, mas definiu o presidente norte-americano como um "capitalista imperialista fanático, que diz besteiras sobre Cuba".

Fidel Castro, sobre a reforma da saúde americana

Consideramos que a reforma de saúde constituiu uma importante batalha e um êxito de seu governo

Para o professor Sidney Ferreira Leite, coordenador de Relações Internacionais Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, estas opiniões contraditórias sinalizam que Fidel, embora aprove ações do governo democrata, quer mostrar que Cuba continua em posição autônoma e independente dos Estados Unidos, inimigo histórico da ilha comunista.

“Seria incoerente Fidel não elogiar a reforma americana da saúde, já que ela vai ao encontro do ideal cubano”, afirmou o professor. “Mas essas declarações sobre Obama são de extrema infelicidade. Mostra a falta de visão. Posições como essa contribuem para isolar Cuba ainda mais”, completou.

Na opinião de José Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do PCdoB, a aprovação da reforma da saúde americana é resultado de uma vitória democrática e por isso merece o elogio do líder cubano. Já as críticas a Obama não se mostram incoerentes.

“Apesar de Obama se apresentar diferente, na prática a posição norte-americana não muda. São muitos interesses sedimentados para serem alterados por uma pessoa só. E concordo com Fidel, deve-se manter Cuba como um Estado autônomo. Ele está certo. São duas opiniões para duas questões completamente diferentes”, disse.

Obama expressou sua preocupação com os acontecimentos recentes ocorridos em Cuba relativos aos direitos humanos, descrevendo-os como "profundamente perturbadores", por meio de um comunicado divulgado esta semana.

Fidel Castro, sobre Barack Obama

Capitalista imperialista fanático, que diz besteiras sobre Cuba

O presidente americano citou o falecimento no final de fevereiro do dissidente preso Orlando Tamoyo, depois de 85 dias de greve de fome, e criticou o que chamou de "intensificação da hostilidade" contra opositores em Cuba, cujo governo considera "mercenários" a serviço de seu inimigo, os Estados Unidos.

O presidente norte-americano prometeu "retomar" as relações com Cuba, mas sustenta que não levantará o embargo econômico de quase meio século imposto a Havana enquanto não forem libertados os prisioneiros políticos na ilha.

Fidel rebateu as críticas em um artigo publicado na imprensa local: "Como pessoa incontestavelmente inteligente e suficientemente bem informada, Obama conhece que não há exageros em minhas palavras. Espero que as besteiras que às vezes expressa sobre Cuba não ofusquem sua inteligência", disse em suas mais recentes "reflexões".

O líder da revolução cubana acrescentou que apesar do embargo e da extensa lista de contradições entre Cuba e a "política egoísta do colossal império (...) não guardamos nenhuma animosidade contra Obama e muito menos contra o povo dos Estados Unidos."

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