Em Teerã, autoridades afirmam que visita de Lula ao Irã servirá para intensificar parcerias

Renata Giraldi
Da Agência Brasil

Em Brasília

  • Sergio Lima/Folha Imagem

    Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (esq.), cumprimenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

    Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (esq.), cumprimenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, capital do Irã, no dia 15 de maio, é aguardada pelas autoridades iranianas como o momento para intensificar parcerias, segundo a agência oficial de notícias do país, a Irna. Na próxima semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, irá ao Irã com 86 empresários de várias áreas sinalizando a ampliação de relações comerciais entre brasileiros e iranianos.

Os embaixadores do Brasil em Teerã, Antonio Luis Espínola Salgado, e do Irã em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, concederam hoje (7) entrevista coletiva sobre a visita de Lula e Jorge ao país. Para Shaterzadeh, a posição do governo brasileiro ao apoiar o desenvolvimento do programa nuclear do Irã é “positiva” por confiar que as pesquisas “têm fins pacíficos”.

Segundo o embaixador iraniano, Brasil e Irã deverão desenvolver parcerias na área de energia nuclear. “Os dois países decidiram desenvolver a cooperação nuclear”, afirmou Shaterzadeh, sem detalhar as informações a respeito do comentário, segundo a Irna. “Não há impedimento algum para as relações bilaterais e que as relações devem se mover no sentido de implementar os acordos de interesses mútuos.”

Em várias ocasiões, Lula defendeu a necessidade de dar oportunidade para o diálogo com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Segundo ele, o Irã tem direito de desenvolver um programa nuclear desde que destinado a fins pacíficos. Para Lula, o enriquecimento do urânio a 20% anunciado por Ahmadinejad tem o objetivo de ser aplicado na indústria de medicamentos.

No entanto, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aumenta a pressão sobre a comunidade internacional para que sejam impostas sanções contra o Irã. Para os norte-americanos, o programa nuclear iraniano é uma ameaça pois disfarçaria a produção de armas atômicas. Ahmadinejad nega as acusações.

O embaixador brasileiro no Irã, durante a entrevista coletiva concedida, hoje, em Teerã, ressaltou que há “uma ligação de um século” entre os dois países, cuja tendência é “aumentar”. Salgado afirmou que essa tendência aumentou com a posse do presidente Lula. “O Brasil e o Irã partilham de muitas preocupações em relação à agenda internacional”, disse ele.

O diplomata brasileiro acrescentou que “de diferentes maneiras, os dois países [Brasil e Irã] buscam a promoção das relações bilaterais no esforço de salvaguardar a independência nacional em coexistência com outras nações da comunidade internacional”.

Shaterzadeh e Salgado lembraram a visita de Ahmadinejad ao Brasil, em novembro de 2009. Foi a primeira visita de um chefe de Estado do Irã ao Brasil, nos últimos 50 anos. Na ocasião, foram assinados 14 acordos de cooperação em vários setores. O encontro dos dois presidentes virou alvo de críticas e elogios na comunidade internacional.

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