Ex-chanceler confirma que oposição assumiu poder no Quirguistão

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

A oposição anunciou nesta quarta-feira (7) ter assumido o poder no Quirguistão após a fuga do presidente Kurmanbek Bakiev, que abandonou a capital, Bishkek, palco de confrontos violentos entre manifestantes e Polícia.

"O poder da república é controlado pela oposição. O presidente está não se sabe onde", afirmou a ex-chanceler e líder opositora Rosa Otunbáyeva à agência de notícias russa "Interfax".

"O novo governo ainda não foi formado. Eu estou no momento coordenando, fazendo as mediações", disse Otunbáyeva. Não houve confirmação independente da informação.
Anteriormente, líderes quirguizes de oposição anunciaram, em uma mensagem divulgada na televisão local, ter formado um novo governo na ex-república soviética.

Temir Sariyev, líder de um partido de oposição, confirmou à agência AP que uma coalizão de políticos concordou em indicar um novo premiê, um novo ministro do Interior e um novo chefe de Segurança para o país na Ásia Central.

O novo governo substitui o gabinete do presidente Bakiev, que fugiu do país em um pequeno avião após os violentos protestos que tomaram as ruas para pedir sua renúncia.

"O avião deixou o aeroporto às 20h00 locais (11h00 de Brasília). Eram no máximo cinco pessoas a bordo", declarou à AFP um funcionário do aeroporto da capital.

O funcionário, que pediu para não ser identificado, não informou o destino do avião, mas declarou que se tratava de uma aeronave pequena, incapaz de voar longas distâncias, e que teria que reabastecer logo, possivelmente em algum país vizinho.

 

Caos

O caos tomou conta das ruas depois que forças de elite da polícia que protegem as sedes do governo na capital Bishkek dispararam contra a multidão de manifestantes que pedia a queda do governo de Bakiev, acusado de corrupção e autoritarismo.

Enfrentamentos com as forças de segurança nesta quarta-feira já deixaram pelo menos 40 mortos e mais de 400 feridos, segundo o ministro da Saúde. Para o líder opositor Omurbek Tekebaiev, o número de mortos já é superior a uma centena.

A multidão tinha tomado um prédio da televisão estatal, incendiado um prédio da Justiça e marchava em direção à sede do ministério do Interior, quando mudou de direção e atacou uma sede da segurança nacional, onde foi repelida por forças policiais. Também há relatos de disparos feitos por atiradores de elite localizados na sede da Presidência.

Os protestos se espalharam por várias cidades na montanhosa ex-república soviética, que abriga uma base militar norte-americana fundamental como ponto de suprimento para os combates contra o Taleban no Afeganistão.

A Casa Branca já afirmou que está acompanhando os relatos de protestos no país asiático e pediu que todas as partes envolvidas demonstrem moderação.

“Estamos monitorando a situação de perto. Estamos preocupados com os relatos de violência e saques e pedimos a todas as partes evitem o confronto e exercitem a moderação”, afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança dos Estados Unidos, Mike Hammer.

Ex-república soviética, Quirguistão vive nova
onda de protestos

País pobre da Ásia Central, Quirguistão tem reconhecida beleza natural e tradições nórdicas ostentadas com orgulho.

Histórico

A região fazia parte do Turquistão russo, dividido depois da revolução bolchevique de 1917. O país converteu-se, em 1936, numa das 15 repúblicas federadas da então URSS, e proclamou sua independência em agosto de 1991.

O cientista Askar Akaiev, designado presidente do país pelo Parlamento, em 1990, foi eleito por sufrágio universal em outubro de 1991 para um mandato de cinco anos. Foi reeleito em 1995 e em 2001.

Em março de 2005, Akaiev foi derrubado por um movimento de protesto, depois do anúncio dos resultados das eleições legislativas, julgadas fraudulentas pela oposição. Kurmanbek Bakiev assumiu a presidência após a “revolução das Tulipas”, mas o país permaneceu desde então em instabilidade política.

O Quirguistão faz parte da Comunidade de Estados Independentes (CEI), da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

*Com agências internacionais

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