EUA e Rússia assinam tratado histórico para reduzir armas nucleares

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu colega russo, Dmitri Medvedev, assinaram nesta quinta-feira (8) o mais ambicioso tratado de redução de armas nucleares em duas décadas, em uma iniciativa para, ao mesmo tempo, reformar a política norte-americana de defesa, renovar as relações bilaterais entre os dois rivais da Guerra Fria e enviar uma mensagem de boas-intenções para o mundo.

O acordo, sugestivamente tratado como “New Start”, foi assinado em Praga, capital da República Tcheca, onde o presidente Obama proclamou, há cerca de um ano, o “compromisso dos Estados Unidos em buscar um mundo pacífico e seguro sem armas nucleares”. De acordo com o documento, Rússia e EUA se comprometeram a reduzir seus respectivos arsenais para 1.550 ogivas e 800 vetores nos próximos sete anos – um corte de cerca de 30% no total que as duas potências deveriam dispor atualmente.

Esse compromisso é uma renovação do primeiro “Start” (Tratado de Redução de Armas Estratégicas, na sigla em inglês), assinado por Washington e Moscou em 1991 e que foi uma das marcas do final da Guerra Fria. O tratado demonstrava o interesse em frear a expansão do número de armas nucleares, mas seu cumprimento não foi rigoroso, de acordo com os especialistas. De qualquer forma, o documento expirou em dezembro passado e não havia naquele momento um sucessor pronto para entrar em vigor.

No mês passado, os dois governos concordaram com os termos de um novo compromisso, o que evidencia uma melhora nas relações entre EUA e Rússia, após as tensões do antigo governo liderado pelo republicano George W. Bush, quando a proposta de instalação de um escudo antimísseis norte-americano na Europa Oriental despertou a desconfiança de Moscou.

Após a assinatura, Obama afirmou que o novo tratado abre o caminho para cortes ainda maiores dos arsenais nucleares dos dois países.

As entrelinhas do “novo começo”

Com Obama, já se pode observar a cooperação do Kremlin em questões-chave, como apoio a rotas militares norte-americanas para ofensivas no Afeganistão. E essa parceria é fundamental para Obama, que não pode almejar um mundo sem armas nucleares sem a ampliação das reduções bilaterais com Moscou, já vez que EUA e Rússia controlam juntos 95% das armas nucleares do mundo.

“Com esse acordo, Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências nucleares do mundo, também transmitem um sinal claro de que pretendemos liderar”, disse Obama ao comunicar em março que um entendimento tinha sido alcançado, em uma mensagem que contempla a demanda do Kremlin por um tratamento de igual para igual por parte da Casa Branca.

Na mesma ocasião, o presidente norte-americano aproveitou para adiantar que essa prova de boas-intenções será utilizada como argumento para pressionar países como Coreia do Norte e Irã a repensar suas supostas ambições nucleares na área militar. “Ao cumprir nossos próprios compromissos assumidos sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, fortalecemos nossos esforços globais para barrar a propagação dessas armas e asseguramos que outros países cumpram suas próprias responsabilidades”, acrescentou Obama.

“Temporada de desarmamento”

O momento em que este documento é assinado confirma as ambições de Obama nesse sentido, o que já levou comentaristas a falar em “temporada de desarmamento”. Na última terça-feira, foi divulgada a Revisão da Postura Nuclear dos EUA, e o governo democrata restringiu as possibilidades de recorrer a esse tipo de recurso em eventuais conflitos futuros.

A revisão anterior, feita por Bush em 2002, dava às armas estratégias um “papel crítico” na defesa do país, e previa sua utilização mesmo contra inimigos de força militar convencional. Agora, os norte-americanos se comprometem a não lançar armas nucleares contra países que respeitam o Tratado de Não-Proliferação, mesmo em caso de ataque militar – uma definição cuidadosamente escolhida para deixar de fora Irã e Coreia do Norte.

A justificativa de Obama para a mudança de postura é que o as ameaças contemporâneas – o terrorismo, principalmente – são diferentes daquelas enfrentadas na época da Guerra Fria.

Além de suceder o novo plano de defesa nacional, o acordo bilateral com a Rússia chega dias antes da cúpula que pretende rever os métodos para evitar que material nuclear caia nas mãos de terroristas, além de preparar terreno para uma possível nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear iraniano, nas próximas semanas.

Ressalvas

O acordo, que foi comemorado por organizações pacifistas e pelo próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ainda tem críticas e obstáculos pela frente.

De um lado, as obscuras regras sobre a contagem e fiscalização de material nuclear despertam as suspeitas de que a redução real possa ser muito menor do que os números propagandeados.

Ainda que o acordo fosse seguido à risca, as ogivas restantes seriam suficientes para aniquilação do mundo. Por outro lado, existem representações nos dois países que prometem oposição à confirmação do acordo nos respectivos parlamentos.

*Com agências internacionais

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