Presidente quirguiz admite que não controla mais o país; novo governo agradece "apoio" russo

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • Vyacheslav Oseledko/AFP

    Kurmanbek Bakiyev, presidente do Quirguistão, é acusado de corrupção e autoritarismo

    Kurmanbek Bakiyev, presidente do Quirguistão, é acusado de corrupção e autoritarismo

O presidente do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, afirmou nesta quinta-feira (8) que não renunciou ao cargo, mas admitiu que já não controla a situação na ex-república soviética, onde a oposição criou um governo provisório.

“Anúncio que, como presidente, não renunciei, nem renunciarei a minhas funções”, afirmou Bakiyev, que está refugiado no sul do Quirguistão desde ontem, quando uma revolta popular tomou as ruas da capital e líderes de oposição autoproclamaram uma nova cúpula dirigente.

O presidente admitiu, no comunicado enviado à agência de notícia “24.kg”, que “não pode influenciar na situação na república” e pediu que a comunidade internacional “preste maior atenção à crítica situação no Quirguistão”.

Kakiyev, que é acusado pela oposição de corrupção e autoritarismo, classificou a tomada do poder como “tentativa de golpe de estado, cujo preço foi a vida dos cidadãos”.

“Como fiador da Constituição, declaro que, em caso de uma desestabilização, toda a responsabilidade recairá sobre os líderes opositores, que serão castigados com todo o rigor da lei”, advertiu.

Em entrevista à agência EFE, o autoproclamado vice-primeiro-ministro do governo provisório, Temir Sariyev, afirmou que "Bakiyev já não é o presidente do país”.

“Rosa Otunbayeva é a chefe do Governo provisório. O Parlamento foi dissolvido", declarou Sariyev, destacando que as novas autoridades “controlam a situação em todo o país”, com a exceção da região de Jalal-Abad, onde esta Bakiyev.

Sariyev acrescentou que as novas autoridades processarão Bakiyev e outros dirigentes pela ordem de disparar contra os manifestantes durante os protestos de ontem em frente à sede do governo, onde morreram a maioria das 75 vítimas dos enfrentamentos.

Agradecimentos à Rússia

Otunbayeva, autoproclamada líder interina do governo, agradeceu o “significativo apoio” da Rússia para expor o que ela definiu como regime criminoso e nepotista de Bakiyev.

Separadamente, um oficial russo afirmou que Bakiyev não cumpriu a promessa de fechar a base militar norte-americana no país e que o Kremlin pediria ao novo governo para autorizar apenas uma base militar na ex-república soviética: a russa.

Revolta no Quirguistão beneficia Rússia e prejudica Estados Unidos

A queda do governo do Quirguistão faz ressurgir uma rivalidade entre Rússia e Estados Unidos, que possuem bases militares nesse país estratégico da Ásia Central. No entanto, a revolta popular de quarta-feira, favorece os interesses russos em detrimento dos americanos, afirmam especialistas.

Otunbayeva falou por telefone com o premiê russo, Vladimir Putin, após ter anunciado o novo governo. Segundo ela, Putin teria perguntado como a Rússia poderia ajudar. “Concordamos que meu vice e ex-premie Almaz Atambayev voaria a Moscou e nós formularíamos nossas necessidades”, afirmou Otumbayeva a uma rádio russa.

Putin foi o primeiro líder mundial a reconhecer o novo governo do Quirguistão. Ontem, durante os distúrbios que deixaram pelo menos 75 mortos, um representante do Kremlin negou que o país tivesse qualquer envolvimento com os protestos.

O dia hoje continua tenso nas ruas da capital, Bishkek, onde um repórter da AFP relatou ter ouvido muitas sequencias de disparos de armas de fogo.

*Com agências internacionais

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