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Obama diz que mundo está "mais seguro" após decisões da cúpula nuclear

Presidente dos EUA, Barack Obama, discursa durante Cúpula de Segurança Nuclear - Michael Reynolds/EFE
Presidente dos EUA, Barack Obama, discursa durante Cúpula de Segurança Nuclear Imagem: Michael Reynolds/EFE

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

13/04/2010 18h15

Atualizada às 19h25

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou na tarde desta terça-feira (13) que o mundo está agora mais seguro, depois dos compromissos assumidos pelos cerca de 50 países presentes na Cúpula de Segurança Nuclear promovida em Washington.

Um mundo sem armas nucleares é possível?

"Fizemos um progresso real na direção de um mundo mais seguro", afirmou o presidente americano em declarações à imprensa após o encerramento da cúpula.

Os líderes dos países que participam da cúpula fecharam um acordo que prevê manter em segurança os materiais nucleares vulneráveis no mundo todo em um prazo de quatro anos. O objetivo é evitar que esses materiais caiam nas mãos de terroristas. Os principais pontos acordados nos dois dias de reuniões são:

  • Fortalecer a segurança nuclear e reduzir a ameaça do terrorismo nuclear;
  • Realizar ações nacionais e impulsionar a cooperação internacional para evitar o terrorismo nuclear;
  • Apoiar as iniciativas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de dar mais segurança aos materiais nucleares vulneráveis nos próximos quatro anos;
  • Evitar que "atores não-estatais" mal intencionados obtenham tecnologias para usar materiais nucleares;
  • Promover medidas para garantir a segurança do urânio altamente enriquecido e do plutônio, materiais básicos usados na construção de armas nucleares;
  • Reafirmar o papel central da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no cenário global de segurança nuclear;
  • Cooperar para evitar e responder ao tráfico nuclear ilegal;
  • Apoiar práticas de segurança nuclear fortes que não infrinjam os direitos dos estados de desenvolver e utilizar a energia nuclear. 

 

 

Al Qaeda

Mais cedo, durante o encontro, Obama chegou a citar a Al Qaeda como um ator interessado em ter acesso a materiais nucleares, justificando a necessidade de ação imediata para evitar essa "catástrofe" em potencial.

"Duas décadas depois do fim da Guerra Fria, enfrentamos uma cruel ironia da história - o risco de confronto nuclear entre nações diminuiu, mas o risco de um ataque nuclear aumentou", afirmou Obama.

"As redes terroristas como Al Qaeda tentam adquirir o material para uma arma nuclear, e se vierem a conseguir, com certeza o utilizarão", afirmou o presidente americano. "Se chegarem a fazê-lo, será uma catástrofe para o mundo, causando uma extraordinária quantidade de perdas de vidas, e aplicando um duro golpe à paz e à estabilidade global".

O principal assessor do presidente americano na luta contra o terrorismo, John Brennan, afirmou que existem provas irrefutáveis de que dezenas de grupos radicais têm procurado armas de destruição em massa. Segundo informações de um oficial da inteligência do governo americano, citados pela emissora americana CNN, a Al Qaeda é um dos grupos que pretendem adquirir capacidade nuclear e não estaria longe de conseguir.

EUA e Rússia

Também hoje os Estados Unidos e a Rússia assinaram um novo protocolo para a eliminação de 34 toneladas de plutônio cada um, material suficiente para produzir ao todo 17.000 bombas atômicas.

"Esta assinatura é um passo essencial, que leva ao cumprimento da obrigação dos dois países de eliminar em segurança e com transparência o plutônio militar em excesso", saudou o Departamento de Estado em um comunicado.

Washington e Moscou já tinham assinado, na última semana, um novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, no qual se se comprometem em reduzir seus respectivos arsenais para 1.550 ogivas e 800 vetores nos próximos sete anos – um corte de cerca de 30% no total que as duas potências deveriam dispor atualmente.

Encontros paralelos sobre a questão "Irã"

Às margens da cúpula nuclear, Obama se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva e com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, para discutir possíveis sanções contra o Irã.

De acordo com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, Obama se encontrou brevemente com Lula e Erdogan para discutir "exclusivamente" a questão iraniana. "Foi um encontro franco e sincero", acrescentou Amorim.

Os Estados Unidos acusam o Irã de desenvolver um programa nuclear militar e defendem o uso de sanções para convencer Teerã a permitir a fiscalização internacional da tecnologia atômica iraniana. O Brasil e a Turquia estão entre os países que se opõem a novas sanções, e pedem mais diálogo com o governo iraniano.

Brasil e Turquia são membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU, órgão no qual Washington busca aprovar as sanções. O Líbano é o terceiro membro não-permanente do Conselho oposto às sanções.

O tema "Irã" esteve presente também em conversas privadas entre Obama e Dmitri Medvedev, presidente russo, e entre Obama e Hu Jintao, presidente chinês. O apoio de Rússia e China é fundamental para viabilizar a aprovação das sanções do Conselho de Segurança, já que os dois países são membros permanentes do grupo, e por isso têm direito a veto.

Nos últimos dias, Medvedev se mostrou disposto a aumentar a pressão sobre o Irã, mas o líder chinês ainda defende a opção do diálogo.

*Com agências internacionais

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