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Em cúpula, Lula deve defender que medo do terrorismo não pode impedir uso de energia nuclear pacífica

Do UOL Notícias

Em São Paulo

13/04/2010 07h00

Em contraposição a seu colega norte-americano, Barack Obama, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve defender nesta terça-feira (13) a busca por energia nuclear para fins pacíficos apesar do acirramento da crise do Ocidente com o Irã, por temor de que os persas estejam tentando construir bombas atômicas.

Divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores, trechos da apresentação brasileira na Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington, apontam que Lula segue sem condenar o regime iraniano de forma que impeça negociações. Em maio, ele será o primeiro presidente brasileiro em Teerã e as conversas sobre o tema atômico estarão na pauta com seu colega Mahmoud Ahmadinejad.

“É importante evitar que a preocupação legítima com o terrorismo nuclear prejudique o direito de acesso, uso e desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos”. O texto não cita o Irã, mas pode ser alterado na hora pelo presidente.

Na segunda-feira (12), o presidente chinês, Hu Jintao, sinalizou que pode aceitar novas sanções contra o Irã, uma vez que o regime teocrático não tem aceitado inspeções que satisfaçam à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada às Nações Unidas. A posição da China pode isolar o Brasil na tentativa de mediar a relação com os iranianos.

“Hoje, enfrentamos novos desafios nessa área, em particular o risco de que agentes não-estatais, em particular grupos terroristas, tenham acesso a materiais ou armamentos nucleares para propósitos ilícitos”, afirma o texto divulgado. “O Brasil está comprometido com ações nacionais e internacionais para combater o terrorismo nuclear."

No texto, Lula diz ainda que “o modo mais eficaz de se reduzir os riscos de que agentes não-estatais utilizem explosivos nucleares é a eliminação total e irreversível de todos os arsenais nucleares”. “É essencial que as armas nucleares, até sua eliminação total, estejam absolutamente seguras. A segurança nuclear é responsabilidade primária de cada Estado. Trata-se, porém, de uma preocupação coletiva de toda a comunidade internacional”, afirma.

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