Cônsul dos EUA minimiza relacionamento entre Brasil e Irã

Thiago Chaves-Scarelli*
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Najla Kubrusly/Consulado dos EUA em São Paulo

    Cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White

    Cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White

O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White, minimizou nesta quinta-feira (15) a aproximação entre os governos de Brasil e Irã, e reiterou que a questão nuclear iraniana não deve se tornar o tema único das relações entre Brasília e Washington.

“Eu não acho que o Brasil está falando de um aprofundamento grande das relações com Irã. O presidente Lula está falando da possibilidade de mais diálogo. É importante que não exageremos no que está acontecendo entre Teerã e Brasília”, afirmou o cônsul, em entrevista coletiva em São Paulo.

“Todo mundo está olhando, é uma coisa importante, mas temos uma diferença de táticas e não uma diferença no resultado que estamos buscando”, acrescentou White, comentando o desacordo entre EUA e Brasil sobre as medidas que deveriam ser aplicadas ao Irã.

Thomas White também defendeu que a agenda bilateral entre EUA e Brasil é ampla e global, e que por isso não deve ser dominada por essa questão.

“É importante que a comunidade internacional tenha uma resposta clara ao perigo de armamento nuclear em um país como o Irã, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil não vão ser dominadas por um só assunto”, afirmou o cônsul.

O governo norte-americano defende que o regime do iraniano Mahmoud Ahmadinejad deve ser alvo de novas sanções econômicas para que o programa nuclear do país asiático possa novamente ser inspecionado pela comunidade internacional. Para Lula, o Irã é um país soberano e merece mais chance de dialogar antes de estar sujeito a sanções.

"Olho no olho"

Ontem, o presidente brasileiro afirmou que “nem o presidente Barack Obama nem os países que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU tiveram uma conversa olho no olho [com os iranianos] para ouvir o que eles têm a dizer".

Para o cônsul norte-americano, no entanto, “quase todo mundo tentou conversar com o regime iraniano sobre as questões nucleares”.

Leia também: EUA tomaram cuidado para não repetir polêmica das bases colombianas

O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White, confirmou nesta quinta-feira (15) que Washington tomou cuidados adicionais ao assinar um acordo militar com Brasília, depois da polêmica desencadeada no ano passado em torno de um tratado com a Colômbia. “Temos capacidade de aprender. Consultamos – acho que os dois países consultaram – os vizinhos aqui na região antes do anúncio do acordo, uma coisa que não foi feita muito bem no caso da Colômbia”, afirmou White.

“Como a secretária Clinton mencionou aqui no Brasil, nós queremos diálogo com o governo iraniano. O problema até agora é que o governo [iraniano] está bloqueando todas as possibilidades de progresso sobre o assunto”.

“A questão de imediato é que precisamos de alguma coisa a mais para convencer o governo iraniano a falar e a tratar do assunto seriamente”, acrescentou. “De vez em quando precisamos fazer mais do que falar”

“Temos um acordo entre os principais membros do Conselho de Segurança e vamos negociar entre nós a possibilidade de novas sanções. O fim disso não é as sanções, é abrir um caminho para resolução do problema”, afirmou White.

Discutindo Irã com China e Índia

O presidente Lula voltou a discutir a questão hoje em Brasília, onde recebeu o presidente chinês, Hu Jintao, e primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

“Foi uma troca de ideias, com a intenção de ajudar a buscar uma solução pacífica e negociada”, disse a jornalistas o chanceler Celso Amorim sobre as reuniões que Lula mateve, de forma separada, com Hu e Singh.

"Temos a impressão de que eles [Hu e Singh] também acham que as sanções teriam uma eficácia discutível" e que prejudicariam, sobretudo, os setores mais pobres da sociedade iraniana "e não os líderes", declarou Amorim.

Segundo o ministro, Lula reiterou sua posição no sentido de que ainda é possível achar uma solução "negociada" que impeça que se chegue às sanções econômicas.

*Com informações da EFE

Para Estados Unidos, crise em Honduras está resolvida

  • Washington considera já resolvida a crise política pela qual passou Honduras depois que o presidente Manuel Zelaya foi tirado do poder, em junho passado.

    “A população de Honduras votou, em uma eleição aberta e livre, e já declarou as suas intenções. Claramente, ninguém gostava da situação que existia antes das eleições, mas depois das eleições é muito importante que prestamos atenção à opinião da população hondurenha", declarou Thomas White.

    O Brasil, que criticou abertamente o golpe de Estado, ainda não reconhece o governo de Pepe Lobo, eleito no final do ano passado, durante a estadia de Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

 

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